Com apoio do PNUD, Paraíba lança Plano de Promoção da Igualdade Racial

O governo da Paraíba lançou na quarta-feira (20), Dia da Consciência Negra, o Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial da Paraíba, que teve o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

O documento tem como base a luta do movimento negro local, que propõe que as demandas da população negra, povos originários e comunidades tradicionais entrem na agenda de execução de políticas públicas do estado.

Foto: Governo da Paraíba

Foto: Governo da Paraíba

O governo da Paraíba lançou na quarta-feira (20), Dia da Consciência Negra, o Plano Estadual de Promoção da Igualdade Racial da Paraíba. Encaminhado à Assembleia Legislativa pela governadora em exercício, Lígia Feliciano, a iniciativa foi monitorada pela Secretaria da Mulher e da Diversidade Humana e elaborada por uma comissão de trabalho composta pelos diversos segmentos étnico-raciais organizados e por secretarias e órgãos do governo.

Com apoio do projeto de cooperação internacional de Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SNPIR), do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), o plano foi executado pelo Cunhã Coletivo Feminista.

Durante um ano, seis oficinas foram realizadas e, após essa etapa, a iniciativa foi estruturada nos eixos de enfrentamento ao racismo estrutural, múltiplo e agravado; política de ações afirmativas e de equidade racial; sistema estadual de promoção da igualdade racial; participação política e controle social; meio ambiente, desenvolvimento sustentável e qualidade de vida.

“O lançamento do PlanePIR significa que o governo reafirma o compromisso com a igualdade racial. É o primeiro plano da Paraíba, que avança na implementação de políticas públicas para uma população formada por 65% de negros. Ao mesmo tempo, essa mesma população é a que mais sofre discriminação, racismo, preconceito e intolerância religiosa”, afirma a secretária da Semdh, Gilberta Soares.

De acordo com a analista de Gênero e Raça do PNUD Brasil, Ismália Afonso, o desenho do projeto reconhece a importância do papel dos atores estaduais e municipais na garantia dos direitos da população negra e na articulação entre eles.

“A conclusão do PlanePIR atende a uma expectativa da população negra no estado e, como está estruturado, permite que tanto os atores governamentais como a sociedade civil desempenhem um papel importante na sua implementação e no acompanhamento das ações. É um resultado importante e atende muito bem à expectativa do projeto, que visa exatamente fortalecer o Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR).”

O documento tem como base a luta do movimento negro local, que propõe que as demandas da população negra, povos originários e comunidades tradicionais entrem na agenda de execução de políticas públicas do estado.

O plano contém ainda um quadro com especificação da secretaria ou órgão de governo para que cada ação seja executada, apontando metas, indicadores de execução e pedindo que as ações sejam alocadas no Plano Plurianual de cada órgão, que está validado para o próximo quadriênio.

Cadastramento de Casas de Matriz Africana

Outra ação apoiada pelo projeto na Paraíba é o cadastramento dos Terreiros de Religiões de Matriz Africana nos municípios de João Pessoa e da região metropolitana, executado pela Casa de Cultura Ilê Asé D’Osoguiã.

De acordo com a diretora-executiva da organização, Mãe Tuca d’Osoguiã, o cadastramento está sendo feito por meio de uma plataforma desenvolvida na própria organização, que recebe dados geolocalizados do recenseador que visita as comunidades e colhe informações com o auxílio de um tablet ou celular.

“Esses dados serão compilados e apresentados em janeiro, na entrega do cadastramento, que também será quando o site com essas informações vai para o ar”, complementa Mãe Tuca.

As comunidades de terreiros são celebrações religiosas e de religiosidade africana relacionadas às tradições, à ancestralidade e à oralidade característica da vida comunitária dos povos tradicionais.

A fim de proteger esse patrimônio imaterial e assegurar que os direitos sociais sejam exercidos de forma plena, é necessário garantir a dignidade das pessoas que a ela se dedicam e que com ela contribuem.

É nesse sentido que o projeto surge como ação inovadora de fortalecimento das e dos membros das religiões de matriz africana, bem como da luta para a eliminação da intolerância religiosa e do racismo institucional, segundo o PNUD.

Fortalecimento e expansão do SINAPIR

Com base em documentos como a Década Internacional de Afrodescendentes e a própria Agenda 2030, o PNUD reconhece que enfrentar o racismo é fundamental para sua missão de apoiar os países a erradicar a pobreza e reduzir significativamente as desigualdades e a exclusão social. E uma das ações voltadas ao tema é o projeto de fortalecimento e expansão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade Racial (SINAPIR).

Inspirado em experiências como os Sistemas Únicos de Saúde (SUS) e de Assistência (SUAS), o SINAPIR foi criado pelo Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288/2010) com a função de organizar e articular ações voltadas à implementação de políticas e serviços destinados a superar as desigualdades raciais no Brasil.

Nesse contexto, o projeto de cooperação internacional mantido entre o PNUD e a Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SNPIR), do MMFDH, potencializa a implementação desse sistema ao consolidar arranjos institucionais e ampliar a participação federativa.