Com apoio do Brasil, Tanzânia impulsiona pequenos agricultores algodoeiros

O projeto “Além do Algodão” apoia pequenos agricultores e suas famílias, bem como instituições públicas em Benin, Moçambique, Quênia e Tanzânia, em uma iniciativa conjunta do governo brasileiro, representado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC/MRE), e do Programa Mundial de Alimentos (WFP) das Nações Unidas.

A ação conecta subprodutos de algodão, como óleo e farelo de algodão, e culturas consorciadas, como milho, sorgo e feijão, a mercados estáveis, incluindo programas de alimentação escolar. O objetivo é contribui para a geração de renda dos agricultores familiares e aumentar a segurança alimentar e nutricional nas áreas rurais.

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O projeto “Além do Algodão” na Tanzânia deu em dezembro um passo adiante com a visita técnica de especialistas do Centro de Excelência contra a Fome — fruto de uma parceria entre a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e o Programa Mundial de Alimentos (WFP) das Nações Unidas.

A missão na região de Mwanza, no norte do país, tomou a forma de um workshop e teve como objetivo validar o diagnóstico produzido por Centro de Excelência, instituições públicas e entidades do setor de algodão na Tanzânia e criar uma lista de prioridades.

O foco do projeto, estimado em 650 mil dólares, é treinar e equipar técnicos de instituições contrapartes e pequenos produtores de algodão para que eles também possam produzir e vender alimentos, um modelo conhecido como agricultura consorciada.

Entre as prioridades apontadas durante a visita técnica, está o aumento do valor de subprodutos do algodão, como o óleo extraído da semente. A Tanzânia já tinha uma tradição de consumir óleo de semente de algodão, mas o produto acabou sendo substituído por outros óleos, como de palma e girassol.

Outra prioridade será promover o escoamento da produção de alimentos consorciados para os mercados locais. O escritório WFP Tanzânia realiza várias atividades humanitárias na região, e os agricultores locais podem potencialmente fornecer alimentos consorciados desses campos. Além disso, o projeto prevê contribuições para o desenvolvimento de um programa de alimentação escolar, que também pode ser um mercado potencial para esses agricultores.

Além de reuniões com parceiros importantes, como o Instituto de Pesquisa Agrícola da Tanzânia (TARI), ministérios da Agricultura, Indústria e Comércio, Relações Exteriores e organizações industriais, a agenda da missão também contou com visitas de campo.

A equipe visitou um centro de pesquisa TARI, equipado com unidades de processamento de algodão. Também houve visitas a agricultores que já estão trabalhando na área circundante ao centro e que serão beneficiados pelo projeto.

A visita recebeu relatos importantes dos agricultores sobre a importância da força de trabalho feminina nesse processo. “Os próprios técnicos da Tanzânia ficaram surpresos com o relato dos agricultores, de que as mulheres não apenas tomavam decisões, como realizavam a mair parte das atividades de campo”, disse Joelcio Carvalho, diretor de projetos do Centro de Excelência contra a Fome.

Nos próximos meses, o Centro de Excelência e a ABC identificarão uma instituição brasileira cooperante que trabalhará com o governo da Tanzânia e o escritório local do WFP para viabilizar o projeto no país.

Ao mesmo tempo, a força-tarefa da Tanzânia, envolvendo todos os atores públicos e organizações da indústria, se reunirá, validará os resultados do workshop e se preparará para a nova visita de campo prevista para fevereiro de 2020.

O papel do algodão nas economias locais

O algodão é um dos produtos agrícolas mais importantes do mundo e sua produção é significativa para a geração de emprego e renda, contribuindo assim para a segurança alimentar dos agricultores familiares na América Latina e no Caribe.

É também uma alternativa para superar a pobreza rural. Cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo realizam atividades econômicas relacionadas ao algodão, uma das 20 commodities mais importantes do mercado mundial em termos de valor.

No entanto, para muitos pequenos agricultores, o principal desafio é encontrar mercados estáveis ​​para subprodutos do algodão e alimentos associados, diferentemente da fibra de algodão, para a qual o mercado já está definido e garantido.

O projeto “Além do Algodão” apoia pequenos agricultores e suas famílias, bem como instituições públicas em Benin, Moçambique, Quênia e Tanzânia, em uma iniciativa conjunta do governo brasileiro, representado pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC/MRE), e do WFP das Nações Unidas, através de seus escritórios nos países e de seu Centro de Excelência contra a Fome.

A iniciativa conecta subprodutos de algodão, como óleo e farelo de algodão, e culturas consorciadas, como milho, sorgo e feijão, a mercados estáveis, incluindo programas de alimentação escolar. O objetivo é contribuir para a geração de renda dos agricultores familiares e aumentar a segurança alimentar e nutricional nas áreas rurais.

O lucro gerado pela comercialização do algodão é a base que garante a subsistência do agricultor, mas não é suficiente para garantir melhorias no estilo de vida das famílias. Portanto, agregar valor aos subprodutos do algodão e melhorar a distribuição de alimentos associados à sua produção são essenciais para aumentar a renda e melhorar a segurança alimentar e nutricional das famílias.