Com apoio do Brasil, Moçambique inaugura 1º banco de leite materno

O final de 2018 trouxe esperança para os bebês recém-nascidos em Moçambique, que inaugurou na capital Maputo o primeiro banco de leite materno do país. A instituição foi construída por uma parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com a Agência Brasileira de Cooperação (ACB), a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e o Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DFID).

Banco de leite materno foi inaugurado ao final de outubro em Maputo, capital de Moçambique. Foto: ABC
Banco de leite materno foi inaugurado ao final de outubro em Maputo, capital de Moçambique. Foto: ABC

O final de 2018 trouxe esperança para os bebês recém-nascidos em Moçambique, que inaugurou na capital Maputo o primeiro banco de leite materno do país. A instituição foi construída por uma parceria do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) com a Agência Brasileira de Cooperação (ACB), a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e o Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido (DFID).

Com quase dois meses de funcionamento, o banco já tem impacto positivo na vida de mulheres e crianças. Para estimular o engajamento com o projeto, uma equipe do Hospital Central de Maputo (HCM) iniciou um ciclo de palestras sobre a importância do aleitamento materno em diferentes regiões de Moçambique e na capital.

Uma das mulheres atendidas é a enfermeira Isabele João. Mãe de dois filhos, ela não conseguiu amamentar o primeiro por falta de tempo, e o leite acabou secando. Com o nascimento do segundo filho, ela decidiu se tornar doadora de parte do seu leite, que poderá ser armazenado no banco. Além de aumentar o estoque da instituição, a moçambicana consegue manter a saúde do filho em bom estado.

“Essa experiência é ótima e veio no momento certo. Estávamos mesmo a precisar. São muitas crianças, muitos bebês, que precisam desse leite materno. Aconselho as mães que venham abraçar essa causa”, afirma, entusiasmada.

Outra moçambicana que já atendeu ao chamado para doação é Sheila Helena Miambo. Mãe de um bebê de sete meses, ela decidiu doar seu leite depois de ver uma propaganda na televisão. “Quando fui à sala de parto, depois do nascimento da minha criança, vi uma senhora com um bebê prematuro que não conseguia amamentar porque o leite não saía. Depois do programa na televisão, me lembrei dessa senhora e achei importante doar leite, percebi que tem algumas mães que não conseguem amamentar seus filhos”, lembra. 

Segundo a nutricionista do HCM, Madalena Carmona, o trabalho para informar as mães sobre os benefícios da doação tem sido bem recebido. “Elas estão informadas, veem isso na internet, já sabem da doação de leite. Quando chegamos lá, sensibilizamos. É uma causa nobre. Elas se sensibilizam a doar o leite para os bebês dos berçários”, conta a profissional de saúde.

No caso das doações realizadas em unidades sanitárias, os equipamentos necessários são levados pela equipe do hospital para melhor atender às mães doadoras.

Histórico

O projeto do banco de leite teve início em 2009, com uma visita ao país africano de representantes do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF), da FIOCRUZ. Na ocasião, o Ministério da Saúde de Moçambique pediu apoio brasileiro para o desenvolvimento de um centro de armazenamento e doação de leite materno. No ano seguinte, foi firmado um acordo que previa a aquisição de equipamentos, transferência de tecnologia e capacitação de profissionais moçambicanos, além da implantação do banco.

Em 2012, representantes da FIOCRUZ estiveram novamente em Moçambique para apresentar às autoridades locais o projeto de construção do prédio que viria a receber a unidade.

Em 2015, com a implementação do Projeto Brazil and Africa: Fighting Poverty and Empowering Women via South South Cooperation, com apoio do DFID, foi possível concretizar o plano. A Agência Brasileira de Cooperação, do Ministério das Relações Exteriores, a FIOCRUZ e o PNUD, em conjunto com o governo de Moçambique, finalizaram as especificações técnicas do edifício e equipamentos e iniciaram o cronograma de capacitação dos envolvidos no projeto.

Coordenadora do banco moçambicano e pediatra, Sonia Bandeira foi uma das profissionais treinadas. Junto com uma enfermeira do Hospital de Maputo, ela passou cerca de um mês em Brasília, onde visitou diversos bancos de leite materno, acompanhou a coleta nas casas de doadoras e conheceu o processamento e a distribuição do leite, entre outras atividades.

Com a experiência adquirida por esses profissionais, o banco em Maputo é uma importante ferramenta para a redução dos índices de mortalidade infantil neonatal no país. “Identificamos no banco de leite uma possibilidade real de contribuição para uma nutrição neonatal adequada. Em países com uma expectativa de vida tão baixa como aqui, com condições de vida tão difíceis, vai fazer a diferença”, ressalta o embaixador do Brasil em Moçambique, Rodrigo Baena.

A Rede Global de Bancos de Leite Humano do Brasil é referência mundial. Com a inauguração em Moçambique, os acordos de cooperação técnica do organismo já beneficiam 24 países, espalhados pelas Américas, África e Europa.


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