Com apoio do ACNUR, refugiados sírios começam a reconstruir suas vidas no Brasil

“Não tivemos escolha, pois a situação na Síria ficou insustentável. As cidades estão devastadas e as pessoas procuram restos de comida nas casas em ruínas”, conta refugiado em São Paulo.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e parceiros estão apoiando sírios refugiados ou solicitantes de refúgio no Brasil para que reorganizem suas rotinas familiares e profissionais. Eles são orientados para a obtenção de documentos brasileiros e utilização de serviços públicos de saúde e educação, recebem aulas de português e são encaminhados para oportunidades de trabalho.

Desde o início dos protestos contra o presidente Bashar al-Assad, em março de 2011, o Comitê Nacional para Refugiados (CONARE) recebeu 90 solicitações de refúgio de sírios. Até agora, 34 pessoas foram reconhecidas como refugiadas e 56 casos estão sob análise. Para o ACNUR, porém, o número de sírios que chegam ao país fugindo do conflito é muito maior do que o registrado.

Próspero empresário em Homs, uma das cidades mais importantes da Síria, Nidal Hassan – que teve o nome trocado por razão de segurança – já havia visitado o Brasil a negócios. Com o agravamento do conflito em seu país, o empresário de 53 anos foi obrigado a voltar ao Brasil para tentar reconstruir sua vida em segurança. Há quatro meses, ele chegou com a mulher e três filhos a São Paulo, onde solicitou refúgio às autoridades brasileiras.

“Não tivemos escolha, pois a situação na Síria ficou insustentável. As cidades estão devastadas e as pessoas procuram restos de comida nas casas em ruínas”, conta o empresário. “A água e o gás acabaram, o que é um problema com a chegada do inverno”, completou Hassan, que teve que deixar para trás a filha mais velha, com marido e filhos.

Também há sírios refugiados e solicitantes de refúgio no Amazonas, Distrito Federal, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Para o representante do ACNUR no Brasil, Andrés Ramirez, o papel da população síria estabelecida no Brasil é extremamente importante. “Estima-se que quase 5 milhões de brasileiros tenham ascendência síria, e muitos deles estão organizados em associações diversas que em alguma medida ajudam os recém-chegados”, disse Ramirez, lembrando que a migração síria para o Brasil se deu entre o fim do século 19 e início do século passado.

Segundo documento técnico divulgado pelo ACNUR em junho deste ano, a proteção aos cidadãos que fogem da Síria deve implicar “o respeito à dignidade humana” e garantir “normas humanitárias mínimas”, como o acesso ao território, segurança, não devolução para o país de origem e acesso às necessidades básicas de abrigo, instalações sanitárias, alimentação, atenção médica, educação primária e documentos de identificação – além de respeito à unidade familiar e aos princípios de não discriminação e livre circulação.