Com apoio do ACNUR, Líbano dobra turno nas escolas para oferecer vagas a mais 27 mil crianças sírias

Um terço dos mais de de 930 mil refugiados sírios estão em idade escolar primária. Colégios ensinam árabe, francês, matemática, ciências, sociedade civil e geografia para alunos entre 6 e 14 anos.

Crianças sírias assistem aula em uma escola de Zgharta, no norte do Líbano. Foto: ACNUR/A. McConnell

As crianças da Síria tiveram suas infâncias interrompidas pelo conflito no país. Dos quase 2,5 milhões de refugiados sírios na região, quase metade tem menos de 18 anos, o que aumenta a pressão para que os países que estão abrigando essas pessoas expandam as oportunidades de educação. No Líbano, um terço dos mais de 930 mil refugiados sírios estão em idade escolar primária.

Ao tentar acomodar os recém-chegados, as escolas locais ficaram lotadas e parte dos novos alunos não puderam se matricular. Setenta e quatro escolas libanesas resolveram então dobrar o turno dos professores para atender a mais de 27 mil crianças sírias. O programa foi testado na cidade de Arsal no ano passado e lançado em todo o país em novembro pelo Ministério da Educação com o apoio do Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR).

Omar foi uma das crianças beneficiadas com a iniciativa em Zgharta, no norte do Líbano. Embora já tenha 7 anos, o menino da cidade de Homs nunca havia frequentado uma escola primária. Graças à dedicação dos professores, Omar e os outros sírios estão recebendo o mesmo nível de educação que seus colegas libaneses e vão ganhar um diploma quando completarem esta etapa.

O fato de muitas crianças sírias estarem fora da escola por muito tempo levou à introdução de programas de aceleração da aprendizagem para 15 mil estudantes para ajudá-los a recuperar os anos perdidos.

As escolas que funcionam em dois turnos oferecem aulas de árabe, francês, matemática, ciências, sociedade civil e geografia para alunos entre 6 e 14 anos. Espera-se, com isso, que os alunos se tornem suficientemente fluentes em francês para entrar no sistema de ensino secundário regular, onde há mais vagas.

A língua francesa é popular entre as crianças e é a matéria favorita de Omar. Desde que entrou na escola, ele fala palavras e frases soltas em francês e já vai na frente da classe repetir nomes e números.

Em janeiro, o ACNUR, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e organizações internacionais parceiras pediram 1 bilhão de dólares para a campanha “Sem Geração Perdida“, que financia uma estratégia para educação e proteção das crianças afetadas pelo conflito sírio.

Ao longo do ano escolar 2013-2014, espera-se que mais dez escolas sejam abertas, fazendo com que mais 4 mil sírios retomem os estudos.

“Eu gosto muito da escola”, diz Omar. Apesar de amar andar de bicicleta, isso não pode ser comparado a frequentar as aulas. “Fico esperando até as duas da tarde até que eu possa vir para a escola. Eu tenho alguns amigos – Ali, Ahmed e Hussein [com quem brincar], mas eu prefiro os dias que tenho aula”, acrescenta.

Em toda a região, mais de 550 mil crianças sírias estão matriculadas em atividades de aprendizagem nos principais países de acolhimento: Líbano, Iraque, Jordânia e Turquia.

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