Com apoio da ONU, refugiadas rohingya fazem curso de costura em Bangladesh

Dedicando-se ao treinamento no campo de refugiados de Nayapara, a jovem Zahida, de 22 anos, deseja usar seus novos conhecimentos e suas economias para comprar a sua própria máquina de costura. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

No campo de Nayapara, em Bangladesh, refugiadas da etnia rohingya, fugidas de Mianmar, sentam à frente da máquina de costura para tecer não apenas roupas, mas também uma nova vida. As mulheres fazem parte de um programa de capacitação para o setor têxtil, apoiado pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Desde 2011, mais de 600 mulheres rohingya participaram do treinamento proposto pela Technical Assistance Inc, instituição parceria do organismo das Nações Unidas. O projeto consiste em três meses de aula e três meses de experiência prática, como uma forma de estágio. O objetivo da iniciativa é ensinar um ofício às refugiadas e garantir sua autonomia financeira.

“Este projeto me ajudou muito. Meu marido me abandonou e eu estava criando minha filha pequena sozinha. Agora ela tem cinco anos de idade”, lembra Anwara Begum. “Eu não fazia ideia de como era costurar.”

Além de aprender técnicas de alfaiataria e utilizar as peças que produzem, as alunas da formação também estão conseguindo poupar recursos para comprar suas próprias máquinas de costura. Isso permitirá que trabalhem em casa, assim que se formarem no projeto.

“Eu já juntei dinheiro suficiente para comprar minha própria máquina e agora consigo pegar pedidos externos. A melhor parte é que eu posso aprender e ser remunerada ao mesmo tempo, além de poder ganhar dinheiro por conta própria depois que o curso acabar”, acrescenta Anwara, com um sorriso no rosto.

Nasima Aktar, de 19 anos, nasceu no campo de refugiados de Nayapara. Foto: ACNUR/Andrew McConnell

Durante a experiência de trabalho, dependendo de quantas roupas produzem, essas mulheres podem ganhar até 6 mil takas (ou 72 dólares), o suficiente para começar o próprio negócio.

“Este trabalho me permite ter uma renda e cuidar de mim mesma”, diz Nasima Aktar, de 19 anos, que nasceu no campo de refugiados Nayapara. A jovem já tem seu próprio aparelho para atender a encomendas.

“Eu também ensinei minha irmã mais nova a costurar. Meu sonho, se eu conseguir juntar dinheiro suficiente, é abrir minha própria loja.”

Laila conta que o dinheiro e o treinamento são importantes, mas o programa também ajuda mulheres a adquirir confiança e autonomia.

“Antes não havia oportunidades para mulheres, como esta”, afirma. “Agora, elas não precisam passar todo o tempo dentro de suas casas e podem aprender técnicas e ganhar novas habilidades, bem como gerar renda.”

A refugiada vê muitas de suas colegas e conterrâneas se orgulhando de si mesmas. “E estão aprendendo a se virar sozinhas e também a ajudar outras mulheres durante o aprendizado”, completa.

Extremamente concentradas, as alunas se esforçam também por uma boa causa, que ultrapassa as suas necessidades individuais. As refugiadas rohingya estão costurando e criando peças que vão integrar os kits de higiene distribuídos pelo ACNUR. Os pacotes são entregues duas vezes ao ano e incluem roupas íntimas, absorventes de pano laváveis e outros itens essenciais.