Com apoio da ONU, mulheres negras debatem articulação política durante Fórum Social Mundial

Mulheres negras brasileiras e de países de América Latina, Caribe e África têm programação específica no Fórum Social Mundial, que começou na terça-feira (13) em Salvador (BA), com a expectativa de reunir 20 mil ativistas sociais de todo o mundo sob o lema “Resistir é criar, resistir é transformar”.

Durante o Fórum Permanente de Mulheres Negras, a ONU Mulheres fará o lançamento local da publicação “Mulheres Negras na Década Internacional de Afrodescendentes”, produzida pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e traduzida para o português por iniciativa do Grupo Temático de Gênero, Raça e Etnia da ONU Brasil.

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Mulheres negras brasileiras e de países de América Latina, Caribe e África têm programação específica no Fórum Social Mundial, que começou na terça-feira (13) em Salvador (BA), com a expectativa de reunir 20 mil ativistas sociais de todo o mundo sob o lema “Resistir é criar, resistir é transformar”.

Por iniciativa de organizações de afro-brasileiras, foi instalado o Fórum Permanente de Mulheres Negras, que ocorre até quinta-feira (15), com o objetivo de avaliar a conjuntura política e os 30 anos do Encontro Nacional de Mulheres Negras. Para os dois dias, são aguardadas cerca de 100 mulheres negras.

O Fórum Permanente Mulheres Negras foi inaugurado na manhã desta quarta-feira (14) com apresentação do grupo Mulheres de Alagados. Em seguida, foi aberto o painel “Avaliação dos 30 anos de organização do movimento de mulheres negras contemporâneo: Do I Encontro Nacional de Mulheres Negras à Marcha de 2015”.

Benilda Brito, do N’Zinga Coletivo de Mulheres Negras, disse durante sua exposição: “temos a legitimidade da pauta, provamos que a democracia racial era uma mentira”. “Precisamos seguir unidas para o encontro nacional de mulheres negras brasileiras”, declarou.

Graça Santos, da Frente de Mulheres Negras do Distrito Federal e do Entorno, lembrou a organização de negras e negros na Constituinte de 1988 e articulação para formular leis contra o racismo.

Para Wânia Santanna, da organização não governamental Ìrohìn, “sem organização e estratégia não se tem resultado”. “Chegávamos juntas no sapato. Foi por isso que tivemos um 1º Encontro Nacional de Mulheres Negras”, disse.

Também participaram do painel a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ); Lúcia Dutra, do Grupo Mãe Andresa; e Iêda Leal, coordenadora Nacional do Movimento Negro Unificado (MNU). O evento teve mediação da ativista negra Kátia de Melo.

No segundo dia, está previsto o painel “Conjuntura Política de Mulheres Negras no Brasil, América Latina e Caribe”, das 9h às 12h, que terá a participação de Eunice Borges, associada de Programas da ONU Mulheres Brasil; Vicenta Camusso, da Rede de Mulheres Afrodescendentes do Cone Sul; e Paola Yañez, coordenadora da Sub-região Andina da Rede de Mulheres Afro-americanas, Afro-Caribenhas e da Diáspora.

Outras participantes incluem Heliana Hemetério, do Movimento de Mulheres Negras e Rede Nacional de Lésbicas Negras e Bissexuais; Mônica Oliveira, da Rede de Mulheres Negras de Pernambuco; Ana Paula Rosário, da Articulação Nacional de Negras Jovens Feministas; Clátia Vieira, do Fórum Nacional de Mulheres Negras; Zaylin Leydi Powell Castro, doutoranda do Programa Multi-Institucional e Multidisciplinar em Difusão do Conhecimento da Universidade Federal da Bahia. Este painel terá a mediação de Dulce Maria Pereira, ativista do movimento negro.

À tarde, das 14h30 às 17h30, haverá a plenária Rumo ao Encontro Nacional de Mulheres Negras, com coordenação de Nilza Iraci e Regina Adami, ambas da Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras; além de Creuza Oliveira, da Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas; Ivana Leal, do Movimento Negro Unificado (MNU); e Ana Mumbuca, da Coordenação Nacional de Quilombos (CONAQ).

O Fórum Permanente de Mulheres Negras é uma realização das entidades mobilizadoras da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver, sendo organizada pelo Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 e da Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras. As atividades têm o apoio da ONU Mulheres Brasil – no âmbito da estratégia de comunicação e advocacy Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 –, e da Embaixada do Reino dos Países Baixos, como parte da programação do Março Mês das Mulheres.

Durante o Fórum Permanente de Mulheres Negras, a ONU Mulheres fará o lançamento local da publicação “Mulheres Negras na Década Internacional de Afrodescendentes”, produzida pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) e traduzida para o português por iniciativa do Grupo Temático de Gênero, Raça e Etnia da ONU Brasil.

Fórum Permanente de Mulheres Negras no Fórum Social Mundial
Data: 14 e 15 de março de 2018
Horário: das 9h às 16h
Local: Coordenação de Desenvolvimento Agrário (Avenida Adhemar de Barros, 986, em frente ao Campus da Universidade Federal da Bahia) – Ondina, Salvador/BA


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