Com apoio da ONU Mulheres, associação ajuda sobreviventes da violência de gênero no Haiti

Em Le Borgne, no norte do país, vítimas recebem médico, jurídico e participam de atividades de capacitação para conquistarem segurança econômica.

A Asosyasyon Boy Fanm, localizada em Le Borgne, uma cidade na costa norte do Haiti, ajuda as sobreviventes de violência de gênero. Foto: ONU Mulheres / Sarah DouglasCom apoio da Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres), a Asosyasyon Boy Fanm (Associação de Mulheres Le Borgne, em crioulo) tem ajudado sobreviventes de violência doméstica a acessar serviços médicos e jurídicos no Haiti. A organização atua desde 2004 na aldeia de Le Borgne, no norte do país.

A associação promove reuniões mensais de um comitê que discute respostas para os problemas de segurança enfrentados por mulheres e meninas relatados pela comunidade. Lá, elas são encorajas a trocar experiências e propor soluções. O comitê leva suas conclusões e demandas para o juiz local, polícia, autoridades de saúde pública da região, líderes religiosos e jornalistas. Campanhas também são feitas para alertar a sociedade.

Com isso, a iniciativa, que tornou-se o centro de referência para os sobreviventes da violência, já conseguiu mudar a mentalidade local. Mulheres e homens estão mais conscientes de seus direitos e das consequências de seus atos.

“Os homens hesitam em bater em uma mulher, porque eles são mais conscientes das medidas e leis que existem”, afirmou o inspetor de polícia local, Luc Codio. Por causa a atuação do comitê, a polícia também alterou padrões de patrulha para cobrir áreas de alto risco.

As mulheres também passaram a relatar os casos com mais frequência e recebem assistência jurídica, com a ajuda da associação, possibilitando que seus agressores sejam condenados, ressalta a responsável pelos programas da ONU Mulheres no país, Kathy Mangones.

“Nosso sonho é ajudar para que as mulheres encontrem solidariedade entre elas e vivam em uma sociedade onde sejam menos vulneráveis e tenham segurança econômica”, disse a vice-diretora da Boy Fanm, Wilna, destacando que a associação oferece também atividades de capacitação para criação de meios de subsistência a mulheres vulneráveis.