Com apoio da ONU, movimento brasileiro de mulheres negras discute objetivos globais

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As mulheres negras do Nordeste iniciam nesta terça-feira (5), em Salvador, um ciclo de diálogos com foco no desenvolvimento sustentável, na promoção da igualdade de gênero e na eliminação do racismo.

Além de Salvador, encontros acontecerão em Maceió, na quarta-feira (6), e no Recife, em 15 de dezembro. As atividades são organizadas pela Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) e entidades locais, com o apoio da ONU Mulheres Brasil.

ONU Mulheres foi uma das entidades apoiadoras da Marcha das Mulheres Negras, em 2015. À direita, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka Foto: ONU Mulheres/Bruno Spada

ONU Mulheres foi uma das entidades apoiadoras da Marcha das Mulheres Negras, em 2015. À direita, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka
Foto: ONU Mulheres/Bruno Spada

As mulheres negras do Nordeste iniciam nesta terça-feira (5), em Salvador, um ciclo de diálogos locais com foco no desenvolvimento sustentável, na promoção da igualdade de gênero e na eliminação do racismo.

Os debates partem das diferentes realidades das mulheres negras — como vivem suas vidas, da dinâmica de suas comunidades e do acesso a direitos —, relacionando-as com as agendas globais das Nações Unidas, que têm como propósito a eliminação das desigualdades e a promoção de direitos humanos.

Além de Salvador, haverá encontros em Maceió, na quarta-feira (6), e no Recife, em 15 de dezembro. As atividades são organizadas pela Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) e entidades locais, com o apoio da ONU Mulheres Brasil.

As rodas de diálogo se integram à estratégia de comunicação e advocacy político Mulheres Negras Rumo a Um Planeta 50-50 em 2030, desenvolvida pela ONU Mulheres Brasil em diálogo com o movimento de mulheres negras.

O objetivo é alinhar e visibilizar as demandas apresentadas pelas mulheres negras organizadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), potencializando suas vozes, e posicioná-las como um dos grupos prioritários nas ações voltadas à implementação dos objetivos globais e da Década Internacional de Afrodescendentes.

“É preciso refletir a partir da perspectiva desses marcos internacionais, fazendo com que as mulheres negras tomem conhecimento sobre quais são as possibilidades para conseguir que essa agenda se efetive”, declara Valdecir Nascimento, secretária- executiva da AMNB, uma das entidades que compõem o Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030.

De acordo com ela, a proposta dos encontros é trazer a Agenda 2030 para o dia a dia do movimento para que as reivindicações que já foram postas, inclusive no manifesto da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo, a Violência e Pelo Bem Viver, sejam aprofundadas.

Marcha das Mulheres Negras

Para subsidiar os debates, o Comitê Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 alinhou as demandas da plataforma de ação da Marcha das Mulheres Negras, realizada em novembro de 2015, aos ODS, gerando potencial para ampliar e dar concretude a seus anseios.

Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil, considera fundamental a roda de diálogos por ser um momento de articulação, avaliação política e capacitação do movimento no Nordeste, ao disseminar a agenda internacional da ONU.

“Esses encontros são mais um fator para o fortalecimento do movimento de mulheres negras e das demandas apresentadas no Manifesto da Marcha das Mulheres Negras, marcando que elas continuam em marcha na busca por direitos, conectadas com a agenda global da ONU e seus Estados-membros. A partir de suas experiências, elas estão entre as principais vozes a serem ouvidas para que se cumpram os objetivos globais”, afirma.

Visibilidade e incidência política

A implementação da iniciativa é feita a partir de um diálogo construtivo com um comitê, formado por integrantes das organizações da sociedade civil que atuam nas temáticas de gênero, raça e combate ao racismo.

Entre as organizações, estão AMNB, Agentes da Pastoral Negra (APNs), Coordenação Nacional de Quilombos (CONAQ), Federação Nacional de Trabalhadoras Domésticas (FENATRAD), Fórum Nacional de Mulheres Negras, Movimento Negro Unificado (MNU), Negras Jovens Feministas e integrantes negras do Grupo Assessor da Sociedade Civil Brasil da ONU Mulheres (GASC).

A partir dos objetivos da estratégia, o comitê propõe ações a serem implementadas em suas áreas de atuação, a exemplo das rodas de conversa, que contam com apoio da ONU Mulheres.

Salvador/BA
Data: 5 de dezembro de 2017
Horário 17h às 20h
Local: CEAO – Centro de Estudos Afro-orientais
Praça General Inocêncio Galvão, 42 – Dois de Julho – Salvador/BA

Maceió/AL
Data: 6 de dezembro de 2017
Horário: 14h às 17h
Local: Adufal
Rua Geremias Porciúnculas, 121 – Farol, Maceió/AL


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