Com apoio da ONU, empresas de limpeza urbana se unem para criação de pacto que previne corrupção no setor

O primeiro Pacto Setorial de Integridade para empresas do setor de limpeza urbana e gestão de resíduos sólidos do país foi lançado na última quarta-feira (4), em evento na Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Elaboração do documento é uma iniciativa conjunta da Rede Brasil do Pacto Global e Instituto Ethos, que visa fortalecer governança das empresas de limpeza urbana e proteger o setor de casos de corrupção. Nove empresas, que representam mais de 50% do mercado nacional, assinam até o momento.

“Mais setores produtivos deveriam se engajar na luta pela integridade, e a Rede Brasil está aberta para acolher e incentivar pactos por uma atuação mais justa e transparente por parte das empresas”, afirmou Carlo Pereira, secretário-executivo da Rede Brasil do Pacto Global.

Pacto Setorial de Integridade visa prevenir corrupção no setor empresarial de limpeza urbana. Foto: Paweł Czerwiński/CC.

Pacto Setorial de Integridade visa prevenir corrupção no setor empresarial de limpeza urbana. Foto: Paweł Czerwiński/CC.

Os maiores grupos empresariais de Limpeza Urbana e Gestão de Resíduos Sólidos do país e as principais entidades que representam o setor se uniram para a criação do primeiro Pacto Setorial de Integridade.

Documento visa fortalecer as práticas de governança corporativa e proteger o segmento de condutas indevidas, seja em práticas internas ou na celebração e execução de contratos com o poder público.

A iniciativa é feita em conjunto com a Rede Brasil do Pacto Global e o Instituto Ethos. O lançamento oficial aconteceu no dia 4 de dezembro, na Pinacoteca de São Paulo, em solenidade para representantes das empresas, entidades e autoridades.

Pacto Setorial de Integridade

Neste primeiro momento, são nove empresas signatárias, que representam mais de 50% do mercado nacional.

Elas atuam em parceria com o Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (SELURB), a Associação Brasileira de Tratamento de Resíduos e Efluentes (ABETRE), a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública (ABLP) e a Associação Brasileira de Gerenciamento de Resíduos (ABRAGER).

Em curto prazo, porém, há a expectativa de mais adesões, principalmente de empresas de pequeno e médio porte.

O Pacto estabelece um código de conduta para as empresas, além de algumas regras e princípios, buscando prevenir situações em que haja conflito de interesses. São regras que versam sobre patrocínios de eventos e campanhas; recebimento de presentes; hospedagens e até contatos feitos entre representantes de empresas e agentes públicos.

O documento também prevê regras de transparência, obrigando que todos os processos sejam bem documentados e de fácil acesso, principalmente modificações contratuais entre empresas e contratantes.

“O objetivo é fazer com que todas as empresas tenham uma estrutura mínima de governança. No caso das empresas menores, que ainda não possuem departamento de compliance, o pacto visa preencher esta lacuna”, comentou o diretor de Relações Institucionais do SELURB, Carlos Rossin.

Cartilha do Pacto Global auxilia boas práticas de empresas

No primeiro semestre deste ano, como prévia, o Instituto Ethos e a Rede Brasil do Pacto Global das Nações Unidas já haviam produzido uma cartilha para orientar colaboradores das empresas do setor sobre como lidar com solicitações indevidas de contratante e fiscais, que poderiam tornar as empresas vulneráveis a práticas ilegais.

De acordo com o Basel Institute on Governance, centro especializado na prevenção de práticas de corrupção, no mundo existem cerca de 120 iniciativas parecidas com o pacto setorial.

No Brasil, já há três casos desenvolvidos anteriormente, nos setores de Saúde, Esporte e Construção Civil.

No caso da limpeza urbana, o planejamento de ação coletiva considera as características do setor, como os métodos de contratação por parte das prefeituras, órgãos responsáveis, taxa de inadimplência e obtenção de licença para operação.

Para Carlo Pereira, secretário-executivo da Rede Brasil do Pacto Global, empresas de outros setores também deveriam se inspirar nesta iniciativa.

“5% do PIB global é perdido por causa da corrupção. Mais setores produtivos deverim se engajar na luta pela integridade, e a Rede Brasil está aberta para acolher e incentivar pactos por uma atuação mais justa e transparente por parte das empresas”, afirmou Pereira.

Evento de lançamento em São Paulo

O evento de lançamento do Pacto Setorial de Limpeza Urbana, Resíduos Sólidos e Efluentes é uma realização da Rede Brasil do Pacto Global com o Instituto Ethos, e viabilizado por Solví, Corpus, Terracom, CS Brasil, Loga, Vital, Estre e Veolia.

A iniciativa tem o apoio institucional de Selur e Selurb, Abrelpe, ABLP, ABRAGER e Abetre.

A iniciativa contou com a presença do ex-ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Luiz Navarro, que ressaltou a importância de pactos setoriais para a autorregulação das empresas, o que faz com que esta forma de combate à corrupção seja internacionalmente reconhecida.

“A experiência internacional mostra que os pactos setoriais são uma forma de avançar no combate à corrupção, porque não é possível avançar sozinho”, pontuou.