Com apoio da ONU começa em São Paulo a II Copa dos Refugiados

Neste sábado (08) as semifinais serão entre Nigéria e Costa do Marfim, e Camarões contra Guiné. Logo após, será disputada a final do campeonato, que acontece no no Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET).

Seleção de Camarões se prepara para entrar em campo. Foto: ACNUR / E.Capozoli

Seleção de Camarões se prepara para entrar em campo. Foto: ACNUR / E.Capozoli

Sorrisos, cantorias, gols e muita sede de vitória. Foi assim que começou a primeira fase da II Copa dos Refugiados, realizada neste final de semana no Centro Esportivo, Recreativo e Educativo do Trabalhador (CERET), em São Paulo. Cerca de 240 jogadores, divididos entre 18 seleções, participaram da competição em uma disputa “mata-mata”. Neste sábado (08), as semifinais serão entre Nigéria X Costa do Marfim e Camarões X Guiné. No mesmo dia, será disputada a final do torneio.

Organizada inteiramente pelos próprios refugiados e solicitantes de refúgio que vivem em São Paulo, a Copa contou com uma grande torcida de todas as seleções, e ainda com o público que estava no CERET. Para os participantes do torneio, o evento representa não só diversão, como também uma forma de dar visibilidade à causa do refúgio e promover a integração entre os diferentes países.

A Copa é promovida pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR) e pela Caritas Arquidiocesana de São Paulo, com o apoio da Prefeitura de São Paulo, Colégio São Luís, Cruz Vermelha, Serviço Social do Comércio (SESC), Sindibast, UGT, Colégio Espírito Santo, Da Veiga Corretora de Seguros, Irmãs Missionárias do Espirito Santo e Paróquia Cristo Rei – Tatuapé.

“Para nós, refugiados, esta Copa é um espaço de solidariedade e de amizade. Encontramos este caminho do futebol para nos comunicarmos com os brasileiros e informá-los sobre quem são os refugiados. Não somos pessoas perigosas, deixamos uma vida inteira em um país para nos salvar. Muitos brasileiros acham que o refugiado não tem valor, que é mau, mas escolhemos esse caminho para mostrar que o refugiado também é uma pessoa comum, que gosta do futebol, sabe jogar e precisa de atenção para a sua situação”, explica um dos organizadores da Copa, o congolês Jean Katumba.

Para o nigeriano Uchen Henry, integrante da seleção campeã do ano passado, a competição é também uma forma de esquecer, ainda que temporariamente, da vida que os refugiados deixaram para trás. “É muito raro ver um encontro deste tamanho com refugiados, porque estamos sempre muito ocupados trabalhando. Então, este tipo de evento nos une e faz com que, por algumas horas, não pensemos nos nossos problemas e nas nossas famílias, que foram deixadas nos nossos países. É muito doloroso, mas não somos o tipo de pessoa que está sempre triste. Esta Copa nos une, e fico feliz só de ver estes sorrisos”, resume Uchen.

Sob um sol escaldante, que não deu trégua durante o final de semana, as seleções disputaram o campeonato e os refugiados e solicitantes de refúgio celebraram as diferenças numa confraternização que envolveu música, risadas e provocações. A primeira fase da II Copa dos Refugiado foi, também, um momento para refletir sobre a integração. Segundo dados do governo federal, o Brasil recebeu cerca de 12 mil pedidos de refúgio em 2014, e o maior contingente teve como destino a cidade de São Paulo. Cerca de 3.600 solicitantes foram atendidos pela entidade.

Entre os torcedores, estava a aclamadíssima “madrinha” da seleção da Serra Leoa. Christina, uma leonesa baixa e de grande atitude que prestou atenção meticulosa aos jogos, afirmou que a Copa é uma forma de agradecer por tudo o que o Brasil tem feito pelos refugiados. “Temos uma organização entre nós [leoneses] e eu sou considerada a mãe de todos os que vivem no Brasil. Cuidamos de uns aos outros como família, e o Brasil nos acolheu. Só tenho a agradecer. A Copa também é uma celebração a isso”.