Com apoio da ONU, arquiteto Shigeru Ban desenhará moradia para 20 mil refugiados no Quênia

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O premiado arquiteto japonês Shigeru Ban vai projetar 20 mil moradias para refugiados vivendo no campo de Kalobeyei, no Quênia. Mais de 17 mil deslocados forçados chegaram ao país em 2017. Kalobeyei é o lar de 37 mil pessoas. Grande parte vem da Somália e do Sudão do Sul. O assentamento tem capacidade para receber até 45 mil indivíduos.

Arquiteto japonês Shigeru Ban durante visita recente ao campo de refugiados de Kalobeyei, em Kakuma. Foto: ONU-HABITAT

Arquiteto japonês Shigeru Ban durante visita recente ao campo de refugiados de Kalobeyei, em Kakuma. Foto: ONU-HABITAT

Com apoio da ONU, o arquiteto japonês Shigeru Ban vai projetar um modelo de moradia para 20 mil residências de refugiados vivendo no campo de Kalobeyei, no Quênia. Mais de 17 mil deslocados chegaram ao país em 2017. Kalobeyei é o lar de 37 mil pessoas. Grande parte vem da Somália e do Sudão do Sul. O assentamento tem capacidade para receber até 45 mil indivíduos. Todavia, o contínuo fluxo de refugiados deve extrapolar esse limite.

“O ponto principal será construir abrigos que exijam pouca ou nenhuma supervisão técnica, e usar materiais ecológicos e disponíveis nos arredores. É importante que as casas sejam facilmente conservadas por seus moradores”, apontou Shigeru durante visita ao acampamento para conhecer as condições do local. O projetista conheceu alguns dos residentes da área e pôde estudar as atuais estruturas que dão abrigo à população.

Shigeru Ban é vencedor do Prêmio Pritzker de 2014, reconhecimento conhecido como o “Prêmio Nobel da Arquitetura”. O designer ficou famoso também por criar abrigos feitos de papel para quase 2 milhões de refugiados de Ruanda, após a guerra civil na década de 1990.

O arquiteto também concluiu com êxito mais de uma dezena de projetos envolvendo situações de deslocamento forçado na Itália, Turquia, Nepal e outros países. Em todos, deixava uma marca — o uso de materiais simples, como papelão, madeira e engradados de cerveja.

Em Kalobeyei, existem desafios particulares. Devido à chegada em massa de refugiados, as paredes de muitas casas começaram a se desgastar. A escassez de água, o desmatamento, as temperaturas muito altas e as enchentes dos períodos chuvosos são outras limitações que deverão ser levadas em conta pelo projeto.

Outro problema é a localização remota do acampamento. Não existem voos comerciais para o lugar, e a ida até lá, de carro, pode ser um trajeto de até três dias, saindo da capital, Nairóbi – onde estão algumas das matérias-primas.

“O design do abrigo deve, ao mesmo tempo, respeitar as regras nacionais de habitação e responder, de maneira responsável, às condições climáticas locais e aos desafios, provendo soluções sustentáveis e reproduzíveis aos abrigos”, afirmou Yuka Terada, coordenador de projetos do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT).

A agência — que está, pela primeira vez no Quênia, desenvolvendo um projeto de habitação para refugiados — ajudará Shigeru no planejamento das obras. “A abordagem do ONU-HABITAT é altamente participativa, de modo que as autoridades dos principais municípios da região, assim como os representantes das comunidades de refugiados e de acolhida terão voz no processo de criação.”

O campo de Kalobeyei foi estabelecido em 2015, por meio de uma parceria entre o governo do condado de Turkana e a Agência da ONU para Refugiados. Num primeiro momento, o design de Shigeru será testado em 20 abrigos. Se bem-sucedido, o modelo vai substituir as outras estruturas existentes. Contudo, os recursos para a construção das casas ainda não estão disponíveis.

“Somos muito gratos pelo apoio do Shigeru. Prover abrigo decente e duradouro é primordial para tratar das necessidades de milhares de refugiados em Kalobeyei”, elogiou o representante do ACNUR no Quênia, Raouf Mazou. “Irá, também, melhorar as condições socioeconômicas em Kalobeyei, o que trará benefícios não só os deslocados, como também à comunidade de acolhimento.”


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