Com apoio da ONU, Ancine promove seminário sobre mulheres no audiovisual

Com apoio da ONU Mulheres, a Agência Nacional do Cinema (ANCINE) promove nos dias 13 e 14 de junho, em São Paulo e no Rio de Janeiro, o terceiro Seminário Internacional Mulheres do Audiovisual. Com a participação de diretoras e especialistas da academia e sociedade civil, evento debate igualdade e estereótipos de gênero na frente e por trás das câmeras.

Seminário debate participação das mulheres no setor audiovisual. Foto: PEXELS (CC)

Seminário debate participação das mulheres no setor audiovisual. Foto: PEXELS (CC)

Com apoio da ONU Mulheres, a Agência Nacional do Cinema (ANCINE) promove nesta semana, em São Paulo e no Rio de Janeiro, o terceiro Seminário Internacional Mulheres do Audiovisual. Com a participação de diretoras e especialistas da academia e sociedade civil, evento debate igualdade e estereótipos de gênero na frente e por trás das câmeras.

No Brasil, segundo a última pesquisa em profundidade feita pela ANCINE, as mulheres dirigiram somente 19,7% dos filmes nacionais lançados em 2016. Homens negros dirigiram apenas 2% dessas obras e nenhuma mulher negra assinou a direção de um filme.

Normalmente, a participação de mulheres na direção dos filmes lançados comercialmente no Brasil fica em torno de 15% ao ano. Em 2014, o índice chegou a apenas 10%.

A edição de 2019 do seminário da ANCINE vai abordar a importância das políticas públicas para a promoção da diversidade no audiovisual e o papel da sociedade civil nos avanços em prol da igualdade de gênero e raça. Debates acontecem em São Paulo em 13 de junho e no Rio no dia 14.

Políticas públicas

Para discutir políticas públicas no audiovisual, a agência brasileira de cinema convidou a palestrante internacional Amanda Nevill, CEO do British Film Institute – BFI, órgão do Reino Unido que é referência mundial na implementação de políticas para a diversidade no setor.

A política de padrões de diversidade do BFI tem sido tão bem-sucedida que passou a ser um recurso utilizado pela indústria audiovisual do Reino Unido como um todo. Essas medidas foram adotadas, por exemplo, pela BBC Films; pela Film4; pela British Academy of Film and Television Arts (BAFTA) como critério de premiação, em duas categorias, do BAFTA Film Awards; e pela British Independent Film Awards (BIFA).

Amanda Nevill participará das atividades tanto na capital paulista, quanto na capital fluminense.

Para dialogar com a experiência do BFI, o seminário terá uma mesa sobre políticas brasileiras federais e estaduais.

Em São Paulo, a discussão será mediada por Ana Paula Souza (jornalista e doutora em Sociologia pela Universidade Estadual de Campinas) e terá a participação das convidadas Carolina Costa (presidente da Comissão de Gênero, Raça e Diversidade da ANCINE); Laís Bodanzky (diretora-presidente da Empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo – SPCINE); Simoni de Mendonça (presidente do Sindicato da Indústria Audiovisual de SP – SIAESP); Jussara Locatelli (coordenadora do Fórum Audiovisual – Minas Gerais, Espírito Santo e Sul/Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – FAMES); Lyara Oliveira (representante da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro – APAN); e Alessandra Meleiro (presidente do Fórum Brasileiro de Ensino de Cinema e Audiovisual – FORCINE).

No Rio de Janeiro, a mesa terá a mediação de Edileuza Penha de Souza (professora de Etinologia Visual da imagem do negro no cinema da Universidade de Brasília) e a participação das convidadas Iafa Britz (diretoria do Sindicato Interestadual da Indústria Audiovisual – SICAV); Clélia Bessa (conselheira da Brasil Audiovisual Independente – BRAVI); Jorane Castro (diretora Norte da Conexão Audiovisual Centro-Oeste, Norte e Nordeste – CONNE); Daniela Fernandes (diretora de Audiovisual da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia); e da cineasta Anna Muylaert.

Sociedade civil

Para falar sobre a importância da sociedade civil, a palestrante internacional Barbara Rohm vai apresentar a experiência da ProQuoteFilm, uma organização da Alemanha criada em 2014 para promover a igualdade de gênero na indústria cinematográfica e televisiva alemã. Lá, como no Brasil, menos de um quarto dos filmes são feitos por cineastas mulheres.

Desde sua criação, várias foram as conquistas da ProQuoteFilm: a alteração da lei de financiamento público do cinema, que passou a incluir uma seção geral sobre a igualdade de gênero e sobre a representação paritária nos Comitês Decisórios dos órgãos envolvidos; a introdução de metas de igualdade de gênero e de outras medidas para favorecer o emprego de mulheres em diversas produtoras e emissoras de TV; a realização, por parte do governo alemão, de estudos oficiais sobre mulheres no setor cultural e nas mídias, trazendo dados inéditos, inclusive sobre igualdade salarial; e o estabelecimento de um serviço para o acolhimento adequado das mulheres vítimas de assédio ou violência sexual no ambiente profissional, dentro da indústria cinematográfica.

Barbara Rohm participará das atividades tanto na capital paulista, quanto na capital fluminense.

Também será promovido um debate sobre o papel da sociedade civil. Em São Paulo, o diálogo terá a mediação de Neusa Barbosa (membro do Elviras – Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema) e participação das convidadas Malu Andrade (fundadora do grupo Mulheres do Audiovisual Brasil); Valdirene Assis (coordenadora Nacional da Coordigualdade/MPT-SP); Marina Pecoraro (conselheira da Diversidade da Abragames); Minom Pinho (idealizadora do Festival Internacional de Mulheres – FIM); Bárbara Sturm (diretora de conteúdo da Elo Company); e Graciela Guarani (produtora cultural e cineasta ameríndia).

No Rio de Janeiro, a mesa contará com as convidadas Krishna Mahon (administradora do grupo Mulheres do Audiovisual Brasil); Mônica Monteiro (presidente da Federação das Mulheres empreendedoras da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa); Paula Neves (conselheira da diversidade da Abragames); Paula Trabulsi (fundadora do colaborativo Internacional de Inteligência Criativa ASAS); Lyara Oliveira (representante da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro – APAN); e a produtora Érica de Freitas.

Saiba mais sobre o evento em São Paulo clicando aqui.

Saiba mais sobre o evento no Rio de Janeiro clicando aqui.

O seminário tem a parceria do SESC São Paulo, da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN) e do Goethe-Institut.

Parceria entre a ONU Mulheres e a ANCINE

Durante o evento, a ANCINE e a ONU Mulheres vão assinar um termo de parceria em cerimônia com a presença do diretor-presidente da agência brasileira, Christian de Castro, e seus diretores Débora Ivanov e Alex Braga e da representante interina da ONU Mulheres para o Brasil, Ana Carolina Querino.

O terceiro Seminário Internacional Mulheres no Audiovisual será o marco inicial dessa parceria entre a ANCINE e a ONU Mulheres. A cooperação tem por finalidade não apenas ampliar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres no setor audiovisual, mas também mobilizar as contribuições que o audiovisual pode trazer para a criação de uma cultura igualitária e livre de estereótipos.