Com apoio da ONU, África debate integração de alimentação escolar e proteção social

Liderado pela União Africana e pelo Programa Mundial de Alimentos da ONU, seminário forneceu informações técnicas a governos de cerca de 30 países africanos sobre como aprimorar o desenho e a implementação de seus programas nacionais de alimentação escolar e como integrá-los com proteção social, nutrição e agricultura.

Seminário em Adis Abeba. Foto: PMA/Ana Cláudia Costa

Seminário em Adis Abeba. Foto: PMA/Ana Cláudia Costa

Um grupo de 38 membros da equipe do Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) e representantes de cerca de 30 países africanos participaram de 30 de maio a 3 de junho do II Seminário Regional do PMA sobre Alimentação Escolar com Compra Local de Alimentos – “Como integrar sistemas”, em Adis Abeba, Etiópia.

Liderado pela União Africana, o Centro de Excelência contra a Fome do PMA – cuja sede é em Brasília –, o Escritório Regional do PMA em Dacar e o Escritório do PMA para a União Africana, o seminário forneceu informações técnicas aos governos sobre como aprimorar o desenho e a implementação de seus programas nacionais de alimentação escolar e como integrá-los com proteção social, nutrição e agricultura.

Durante os dois primeiros dias de evento, membros da equipe do PMA se engajaram em sessões de treinamento para discutir a abordagem de alimentação escolar vinculada à agricultura local e identificar os passos indispensáveis para sua adaptação e adoção no nível nacional.

Na segunda parte do seminário, Representantes da União Africana, dos estados membros e da Rede Africana de Alimentação Escolar se juntaram às discussões. Eles revisaram os desafios que os países enfrentam ao desenhar e implementar seus programas nacionais e exploraram opções para resolver problemas na gestão da cadeia de abastecimento e controle de qualidade.

Os participantes discutiram a efetividade de programas de alimentação escolar liderados por governos nacionais. Esse espaço de diálogo entre países foi uma oportunidade de compartilhamento de experiências em transferir os programas de alimentação escolar para uma gestão nacional e em ampliar suas atividades.

O último dia de evento foi dedicado ao lançamento oficial da primeira plataforma da Rede Africana de Alimentação Escolar.

Daniel Balaban, diretor do Centro de Excelência, destacou a relevância do tema do seminário para o trabalho dos países em direção a soluções sustentáveis de alimentação escolar.

“Acreditamos que a retaguarda que a União Africana está oferecendo aos países para o desenho e implementação de seus programas de alimentação escolar vinculada à agricultura local, combinada à nossa assistência técnica contínua, são fatores chave para assegurar o compromisso com a alimentação escolar e o aprimoramento contínuo de sistemas nacionais de alimentação escolar”, afirmou.

Para Thomas Yanga, diretor do PMA para a União Africana, o seminário foi uma oportunidade única para a troca de conhecimentos entre os países. “Está é de fato a primeira vez na história em que um continente inteiro se uniu para reconhecer os benefícios da rede de proteção social mais utilizada do mundo, dentro e fora das salas de aula.”

Martial De-Paul Ikounga, comissário para Recursos Humanos, Ciência e Tecnologia da União Africana, também participou do terceiro dia de atividades e lembrou aos participantes por que a decisão da União Africana de incentivar os governos nacionais a implementar programas de alimentação escolar é tão importante.

“Eu realmente espero que o que estamos discutindo aqui se transforme em uma forte convicção em todos os nossos países, porque a alimentação escolar é uma verdadeira oportunidade e pode ajudar a transformar as economias de todo o nosso continente”, disse.

Em janeiro de 2016, após uma visita de estudos organizada pelo Centro de Excelência para conhecer o programa brasileiro de alimentação escolar, os chefes de Estado da União Africana recomendaram a inclusão da abordagem de alimentação escolar com compra local de alimentos na Estratégia Continental de Educação para a África 2016-2025.

Essa recomendação aconteceu em reconhecimento ao potencial dos programas de alimentação escolar para fortalecer iniciativas de proteção social e contribuir para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

PMA e União Africana fortalecem parceria

Os representantes do PMA e da União Africana fizeram uma reunião paralela durante o seminário para discutir os próximos passos da parceria entre as duas instituições. O principal ponto da reunião foi o estudo sobre os benefícios da alimentação escolar em países africanos que está sendo realizado em parceria com o Centro de Excelência.

O diretor do Centro, Daniel Balaban, e a chefe de Programa, Christiani Buani, atualizaram os representantes do PMA e o comissário para Recursos Humanos, Ciência e Tecnologia da União Africana, Martial De-Paul Ikounga, sobre o processo de seleção da instituição de pesquisa que fará o estudo.

O Centro de Excelência está atualmente analisando as propostas recebidas de instituições de todo o mundo, inclusive de vários países africanos, como Quênia, Etiópia e África do Sul, e em breve dará início ao trabalho.

Durante a 26ª Cúpula da União Africana, em janeiro de 2016, os chefes de Estado decidiram adotar programas de alimentação escolar com compra local de alimentos como uma estratégia continental para melhorar a frequência e o desempenho dos alunos nas escolas e promover a geração de renda e o empreendedorismo em comunidades locais.

Para isso, decidiram criar um comitê técnico multidisciplinar de especialistas africanos para realizar, com apoio do Centro de Excelência, um estudo geral sobre a relevância e o impacto da alimentação escolar nos estados membros da União Africana.

“Eu estou muito contente com a realização deste estudo; agora vamos medir, vamos saber o retorno dos recursos investidos em alimentação escolar”, afirmou Ikounga. Ele ressaltou, no entanto, que “um estudo quantitativo como esse não consegue mensurar toda a realidade do que representa o investimento na alimentação escolar, que ultrapassa a dimensão quantitativa. A alimentação escolar é rentável por si só, mesmo sem considerarmos seu retorno em termos econômicos”.

Além do estudo, os participantes da reunião conversaram sobre a participação de Ikounga no evento em celebração aos cinco anos do Centro de Excelência durante a reunião do Conselho Executivo do PMA em Roma, no dia 15 de junho.

O comissário dará seu depoimento aos conselheiros sobre aonde a União Africana quer chegar com os investimentos em uma estratégia continental de alimentação escolar e o papel do Centro de Excelência na mobilização e apoio aos países africanos na área de alimentação escolar vinculada à agricultura local.

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