Com ajuda da ONU, adolescente sírio reencontra a família na Alemanha

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Com medo de ser recrutado pelo exército, Numeir fugiu da Síria, seu país de origem, quando tinha apenas 15 anos. “Dizer adeus foi terrível”, conta o jovem sobre o momento de se despedir dos pais e irmãos, incluindo a caçula da família, Anmar, de apenas quatro anos à época. Vivendo na Alemanha desde 2015, o sírio conseguiu trazer os parentes para o país europeu em maio último, com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Numeir (na extrema direita) reencontra os parentes no aeroporto. Foto: ACNUR/Chris Melzer

Numeir (na extrema direita) reencontra os parentes no aeroporto. Foto: ACNUR/Chris Melzer

Com medo de ser recrutado pelo exército, Numeir fugiu da Síria, seu país de origem, quando tinha apenas 15 anos. “Dizer adeus foi terrível”, conta o jovem sobre o momento de se despedir dos pais e irmãos, incluindo a caçula da família, Anmar, de apenas quatro anos à época. Vivendo na Alemanha desde 2015, o sírio conseguiu trazer os parentes para o país europeu em maio último, com o apoio da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

“Anmar me implorou para não ir, dizendo ‘irmão, não vá’. Mas eu não tive escolha”, conta Numeir sobre a partida para a Europa. Depois de passar pela Turquia, Grécia e a região dos Bálcãs, o jovem chegou à Alemanha em 2015, com 15 anos. O plano era encontrar um tio que já morava lá.

Como era menor de idade, Numeir foi levado pelas autoridades para um albergue em Lensahn, uma pequena cidade localizada no norte da Alemanha. O município fica a poucos minutos de carro do Mar Báltico e tem menos de cinco mil habitantes.

“Aqui é muito bonito”, diz o sírio. “Tão verde, tão quieto, tão pacífico.”

Durante três anos, ele teve apenas um desejo: “Quero compartilhar a beleza deste lugar com as pessoas mais importantes do mundo para mim – minha família”.

O ACNUR ajudou Numeir a reencontrar os parentes. Seu pai Ismain, a mãe Fada, e seus três irmãos fugiram para a Turquia, depois para a Grécia, antes de finalmente saberem que a solicitação do organismo internacional e do jovem havia sido aprovada. Em uma quinta-feira de maio, os cinco se prepararam para desembarcar no Aeroporto Fuhlsbüttel, em Hamburgo.

Muitas pessoas no saguão de desembarque aguardavam o mesmo voo, mas ninguém parecia tão animado quanto Numeir. O avião pousou com segurança? Tudo daria certo na chegada? De repente, sua família estava lá e Numeir pôde abraçar sua mãe novamente.

Numeir reencontra a mãe, Fada, no aeroporto, em Hamburgo. Foto: ACNUR/Chris Melzer

Numeir reencontra a mãe, Fada, no aeroporto, em Hamburgo. Foto: ACNUR/Chris Melzer

Fada afirma que sentiu-se como na primeira vez em que abraçou seu primogênito, 18 anos atrás. “Foi exatamente assim, como da primeira vez”, diz, feliz.

A família ficou espantada quando chegou em Lensahn e saiu do carro. Todos tinham visto fotos, mas agora podiam sentir o cheiro das árvores, sentir a grama e tocar a parede de tijolos da antiga casa de fazenda onde todos iriam morar. “Aqui é lindo”, disse Ismain.

“É ótimo ver uma família tão feliz”, afirma o representante do ACNUR na Alemanha, Dominik Bartsch. “É por isso que a reunião familiar é tão importante. Durante anos, Numeir ficou doente de preocupação com seus familiares. Agora, seus medos desapareceram e a família pode reconstruir suas vidas aqui na Alemanha.”

“Já vimos ataques de gás, vimos bombas”, conta Ismain. “Para um pai, isso significa nunca ter a certeza de que sua esposa e filhos ainda estarão vivos quando ele voltar para casa à noite. Aqui, quando vejo as crianças rindo e correndo no jardim, sei que todos estão seguros.”

“Eu gostaria de agradecer ao povo alemão que me deu a oportunidade de ver meu filho novamente. Eles o acolheram, seguraram-no em seus braços e nos reuniram”, completa o pai de Numeir.


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