Com 76 milhões de pessoas precisando de ajuda, ONU diz que perspectiva para 2015 é ‘sombria’

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O custo elevado de financiamento das operações humanitárias, somado ao aumento de crises, representa um risco para as operações humanitárias em 2015. Para o representante de operações do OCHA, mundo está “paralisado” com tanto sofrimento.

Funcionário da agência da ONU para refugiados recebe na Mauritânia pessoas que fogem da violência em Mali. Foto: ACNUR/Dalia Alachi

Funcionário da agência da ONU para refugiados recebe na Mauritânia pessoas que fogem da violência em Mali. Foto: ACNUR/Dalia Alachi

O panorama para as operações humanitárias é “muito sombrio”, advertiu nesta segunda-feira (22) o Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) da ONU, informando que a situação de socorro se deteriorou rapidamente em 2014 e que as projeções apontam para um “ano difícil” em 2015.

“Quando olhamos para trás, nesse mesmo período, contávamos com cerca de 52 milhões de pessoas com necessidades humanitárias e agora terminamos o ano com mais de 76 milhões”, disse o diretor de operações do OCHA, John Ging.

O custo para manter este auxílio hoje se encontra em 19,2 bilhões de dólares. Nada comparado, no entanto, às cifras de mortos provocadas pelas últimas crises que já chegam a casa dos milhões e àqueles que “resistem em condições desumanas e de terrível miséria”.

Para ele, a escala de sofrimento é tanta que deixou o mundo “paralisado”. Citou, como exemplo, o caso de crises que ganham menos visibilidade por não ter um caráter político, como a do Sahel, onde só no ano passado, 572 mil crianças morreram por desnutrição ou doenças, que poderiam ser curadas ou prevenidas.

O ano de 2014 também foi marcado pelo aumento de situações de risco para os trabalhadores humanitários, com a perda de 85 pessoas em mais de 230 ataques. “É muito frustrante para os trabalhadores humanitários estar na frente de batalha, com financiamento reduzido, enfrentando a desumanidade e o sofrimento, sem poder entregar a ajuda que tantas pessoas urgentemente precisam”, disse, ressaltando que graças ao fato deles não desistirem e ao seu “ato heroico” foi possível salvar milhões de vidas e reduzir o sofrimento.


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