Colombiana abriga refugiados e migrantes venezuelanos em sua casa em Cúcuta

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Angélica Ballesteros, de 51 anos, se sentiu acolhida pela Venezuela quando teve que abandonar a Colômbia devido a grupos armados no montanhoso departamento no norte de Santander. Tendo retornado a seu país, ela hoje abre as portas de sua casa para venezuelanos que enfrentam momentos de necessidade.

“É hora de retribuir”, diz Angélica, em sua residência localizada no subúrbio de Cúcuta, cidade colombiana no oeste do rio Tachira.

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Angélica Ballesteros, de 51 anos, se sentiu acolhida pela Venezuela quando teve que abandonar a Colômbia devido a grupos armados no montanhoso departamento no norte de Santander. Tendo retornado a seu país, ela hoje abre as portas de sua casa para venezuelanos que enfrentam momentos de necessidade.

“É hora de retribuir”, diz Angélica, em sua residência localizada no subúrbio de Cúcuta, cidade colombiana no oeste do rio Tachira. Há tempos a fronteira de cerca de 2 mil quilômetros entre Venezuela e Colômbia é trajeto para pessoas que fogem da violência.

Angélica, cuja baixa estatura contrasta com sua confiança e determinação, só sabia trabalhar na terra quando teve que recomeçar sua vida na Venezuela após atravessar a fronteira com apenas um saco de roupas, 14 anos atrás.

No entanto, depois de se estabelecer e ter sua família, ela foi obrigada a retornar à Colômbia em 2015, quando o governo venezuelano ordenou a deportação de colombianos na região fronteiriça. Isso fez com que cerca de 20 mil colombianos, muitos dos quais deslocados devido à guerra civil, fossem forçados a deixar a Venezuela.

“Abri minha casa há dois anos, quando ocorreram as deportações”, diz Angélica. “Eu vivi, trabalhei, tive uma vida lá, então, eu sei o que é ter que deixar tudo para trás. As pessoas chegam aqui sem nada, então, a prioridade é dar-lhes algum lugar para ficar”.

Crescente inflação, escassez generalizada de alimentos e medicamentos, agitação política e violência estão levando dezenas de milhares de venezuelanos a fugir. Muitos seguem os passos de Angélica, cruzando a fronteira por terra até Cúcuta, na esperança de construir uma vida melhor e, em alguns casos, solicitar refúgio.

Atualmente na Colômbia, Angélica mora em uma casa de estilo colonial, onde oferece comida, abrigo e solidariedade aos venezuelanos que fogem da crise. Sua casa tem um pátio central onde os moradores socializam e, às vezes, comem juntos. Os quartos são espaçosos e algumas famílias dividem uma cama.

“Temos cerca de dez venezuelanos vivendo aqui”, diz ela, gesticulando de forma animada. “Algumas pessoas ficam um mês, ou três meses, até que possam se virar sozinhos. Nós os ajudamos a entender seus direitos na Colômbia, a organizar seus documentos”.

O governo colombiano estima que cerca de 300 mil venezuelanos estejam atualmente no país andino, onde — apesar da recente introdução de licenças temporárias de trabalho para aqueles que cruzaram legalmente a fronteira — há pouca infraestrutura para recebê-los.

Mais de 650 mil venezuelanos também atravessam regularmente a fronteira colombiana usando um Cartão de Mobilidade de Fronteira, principalmente para comprar alimentos e outros itens básicos. Até agora, em 2017, 32 mil venezuelanos solicitaram refúgio no mundo todo, a um ritmo muito maior que no ano passado, quando houve 34 mil solicitações.

“Por muito tempo, a Colômbia foi um país de origem dos refugiados”, disse Jozef Merkx, representante da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) na Colômbia. Mundialmente, existem mais de 340 mil refugiados colombianos, além de 7 milhões de deslocados internos pelo conflito no país. “Agora, (a Colômbia) precisa se adaptar para ser um país de acolhida”.

Em seu esforço pessoal para receber refugiados, Angélica e sua família também organizam um almoço comunitário mensal, gratuito. Ela cobra aluguel de apenas 1 dólar por mês e entende quando os inquilinos não conseguem pagar. “Nós também os encorajamos a trabalhar, ir de porta em porta para encontrar algo que possam fazer com seu tempo”.

O estudante venezuelano Oswell Mujica, de 19 anos, está entre os que receberam sua hospitalidade. Oswell fugiu de Caracas em janeiro e chegou a Cúcuta sem nada. “Eu estava procurando trabalho, mas não encontrava”, diz. “Quando cheguei a Cúcuta pela primeira vez, tive que dormir na rua, mas depois encontrei este lugar”.

Ele diz que passou fome durante as primeiras semanas na Colômbia. “Quando cheguei aqui, era igual à Venezuela”.

Embora muitos que passam pela casa de Angélica estejam fugindo de fome e violência, alguns dizem que a ameaça da violência política os forçou a fugir. Keener González, de 21 anos, lembra dos protestos que viu em Caracas e da resposta implacável.

“Você não pode falar contra o governo lá”, conta ele, do lado de fora da casa, onde participou de uma reunião sobre os direitos dos venezuelanos recém-chegados. “Eles batem nos manifestantes, prendem as pessoas que tiram fotos. Eu não posso viver num país como aquele”.

Para Angélica, a decisão de abrir a casa foi fácil. “Os venezuelanos estão vivendo um momento muito difícil e isso me causa dor. Eu vivi lá e fui bem tratada na época, mas agora as autoridades estão se comportando de maneira terrível “, diz ela. “Somos todos seres humanos, e todos temos direitos”.


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