Cólera no Haiti deve ser detida para que não haja catástrofe econômica na região, alerta OMS

Autoridades em saúde pública se reuniram na capital dos EUA e pediram que a comunidade internacional ajude o Haiti nos investimentos em água potável e saneamento.

Diretora da OPAS, Carissa F. Etienne, à direita. Foto: site da OPAS

Diretora da OPAS, Carissa F. Etienne, à direita. Foto: site da OPAS

Especialistas em saúde pública se reuniram na capital norte-americana, Washington, para debater o desenvolvimento da cólera no Haiti. Apesar da diminuição de casos desde o início da epidemia em 2010, eles afirmaram que a comunidade internacional deve ajudar o país a investir em água potável e saneamento para que a doença não se espalhe pelo continente.

“Se não pararmos essa doença letal, ela pode se espalhar para o resto da nossa região, produzindo um custo humano alto e uma catástrofe econômica com possíveis efeitos sobre o comércio, o turismo e os investimentos”, disse a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), Carissa F. Etienne, na sexta-feira (25).

Desde 2010, cerca de 680 mil pessoas foram infectadas pela cólera no Haiti e mais de 8 mil morreram. Embora a taxa de propagação da epidemia tenha diminuído, os casos da doença no país foram responsáveis por quase metade de todos os registrados no mundo em 2012 e em 2013. A cólera continua atingindo uma média de mil haitianos por mês neste ano.

Além da epidemia no Haiti, a República Dominicana tem relatado mais de 31 mil casos e 458 mortes por cólera desde novembro de 2010, Cuba confirmou 678 casos e três mortes desde julho de 2012 e o México reportou 171 casos e uma morte em setembro deste ano.

O Haiti, que tem as menores taxas de cobertura de água e saneamento do continente, e a República Dominicana desenvolveram planos para eliminar a cólera nos próximos 10 anos. O principal objetivo é melhorar o acesso à água potável e saneamento.

O plano dos haitianos precisa de 443,7 milhões de dólares entre 2012 e 2015 e 2,2 bilhões de dólares em 10 anos. Já a República Dominicana necessita de investimentos de 35 milhões de dólares entre 2013 e 2015 e 77 milhões de dólares em uma década.

A coautora de um relatório recém-lançado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, em inglês) sobre o apoio dos Estados Unidos para combater a cólera no Haiti, Katherine Bliss, disse que o plano nacional haitiano oferece “múltiplas oportunidades” para que os EUA melhorem seus investimentos em água potável e saneamento no país.

A ajuda, segundo Bliss, pode prevenir não só a cólera como também outras doenças diarreicas. Ela ainda acrescentou que esses investimentos podem desenvolver a economia do Haiti, ajudar no empoderamento das haitianas e promover o progresso democrático e ampliar a participação política popular.