Coalizão defende visão mais ampla sobre redução de danos no uso de drogas injetáveis

Em 2016, mais de 11 milhões de pessoas nos Estados Unidos fizeram uso abusivo de opióides receitados e quase 1 milhão usaram heroína, de acordo com o governo norte-americano. Embora milhões de pessoas no país sejam dependentes de opióides, apenas 1 em cada 10 recebe tratamento.

Em 2017, pelo menos 64 mil pessoas morreram por causas relacionadas à overdose de drogas nos EUA. O uso indevido de opióides, assim como o vício—incluindo analgésicos prescritos, heroína e opióides sintéticos, como o fentanil, constitui uma grave crise nacional que afeta a saúde pública e o bem-estar social e econômico, com graves consequências.

É nesse cenário que a Coalizão sobre Redução de Danos (Harm Reduction Coalition) — uma organização norte-americana de ativismo e capacitação que trabalha para promover a saúde e a dignidade de pessoas e comunidades afetadas pelo uso de drogas — realizou a 12ª Conferência Nacional sobre Redução de Danos, em Nova Orleans, de 18 a 21 de outubro.

Na conferência, a coalizão pediu espaços de diálogo e ação para curar os danos causados ​​por políticas de combate às drogas baseadas em discriminação racial. Além disso, anunciou que irá agir além das atividades básicas tradicionais de treinamento, capacitação e políticas públicas.

Os participantes ouviram a demanda por uma visão de redução de danos mais ampla, que vá além da prevenção e redução de riscos, e pede estratégias para abordar trauma, divisão social, injustiças e desigualdades.

“Não podemos acabar com a AIDS no mundo se não acabarmos com a AIDS entre pessoas que usam drogas injetáveis. O UNAIDS está comprometido com a redução de danos. Redução de danos funciona. Redução de danos é capaz de salvar vidas,” disse Ninan Varughese, assessor sênior do UNAIDS.

Em preparação para o segmento ministerial da 62ª Sessão da Comissão de Drogas Narcóticas, que será realizada em março de 2019, a Organização das Nações Unidas está discutindo a questão mundial das drogas no mais alto nível.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discutirá a questão em suas reuniões bianuais com os chefes dos organismos das Nações Unidas e espera chegar a uma posição comum que ressalte o forte compromisso da Organização com o fortalecimento da implementação do documento final da Sessão Especial da Assembleia Geral da ONU de 2016 sobre o Problema Mundial da Droga, por meio da colaboração interinstitucional.