CNJ e PNUD investem em inteligência artificial para dar mais eficiência ao Judiciário

Instrumentos de inteligência artificial foram adotados por parceria entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para auxiliar os tribunais na gestão da tramitação processual.

Para a oficial de programas do PNUD Moema Freire, os dados permitem elaborar projeções para apoiar o planejamento dos tribunais. “A partir da melhora da qualidade das informações obtidas, o tribunal poderá planejar a distribuição de recursos e tomar medidas para suprir gargalos processuais”, diz.

Uso de algoritmos visa dar mais eficiência ao planejamento do Judiciário no que se refere à distribuição de recursos, entre outros temas. Foto: CNJ

Uso de algoritmos visa dar mais eficiência ao planejamento do Judiciário no que se refere à distribuição de recursos, entre outros temas. Foto: CNJ

Tribunais do país terão instrumentos para aumentar a qualidade de seus dados, facilitando sua verificação e permitindo a aplicação de novos métodos. A iniciativa é fruto de estudos realizados a partir de técnicas de inteligência artificial, com o objetivo de otimizar resultados do Judiciário brasileiro.

Os novos instrumentos foram desenvolvidos por parceria entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O foco do trabalho foi o desenvolvimento de algoritmos que possam auxiliar os tribunais na gestão da tramitação processual, de maneira a identificar gargalos e contribuir para melhorar a rotina da Justiça, especialmente no que se refere à eficiência.

A colaboração teve início após o apoio do fundo de inovação global Innovation Facility, do PNUD, com suporte do governo da Dinamarca. O fundo oferece amparo técnico e financeiro a iniciativas tecnológicas que ampliem o impacto de soluções de desenvolvimento em diferentes países.

Para a oficial de programas do PNUD Moema Freire, os dados obtidos permitem a elaboração de projeções para subsidiar o planejamento dos tribunais. “A partir da melhora da qualidade das informações obtidas, o tribunal poderá planejar a distribuição de recursos e tomar medidas para suprir gargalos processuais”, diz.

O desenvolvimento da solução se deu em duas etapas: o tratamento dos dados e, em seguida, a identificação de eventuais anomalias processuais.

“Com uma gestão da informação efetiva, é possível aprimorar o planejamento e tomar decisões de gestão: entender quais varas são mais demandadas, por quais temas, quais têm mais litigantes. Isso auxilia o planejamento da Justiça e tem efeito direto no acesso imediato a ela”, declara Moema.

A primeira etapa, construída com apoio da LegalLabs, startup de inteligência artificial aplicada ao Direito, buscou detectar inconsistências no registro judicial de classes, assuntos, movimentações, datas, nomes das partes, entre outros. Tais ocorrências nessas informações impactam diretamente na produção de estatísticas relacionadas ao trâmite processual no Brasil. Com os algoritmos desenvolvidos, é possível formular, de forma rápida, um diagnóstico que aponta problemas nos dados, possibilitando que os tribunais possam realizar correções.

A segunda fase procurou anomalias em fases processuais, verificando se houve um tempo de tramitação acima da média, por exemplo. Também foi realizada uma análise geoespacial, que permite a identificação de processos correlatos.

Para o diretor-técnico do Departamento de Pesquisas Judiciárias do CNJ, Igor Guimarães Pedreira, criar fluxos que analisam milhões de registros de forma automatizada – atividade inviável para ser realizada manualmente por uma pessoa – ajuda a melhorar a gestão da tramitação processual.

“No início do trabalho, o processo de extração e identificação de inconsistências nos dados de um tribunal durava, em certas situações, até uma semana, agora isso é possível em poucos minutos”, conta. “A partir dessas bases, são feitas pesquisas que constroem diagnósticos que, por sua vez, orientam a definição de políticas públicas. Uma base coerente, com dados fidedignos, é um instrumento para criar políticas públicas eficazes”, afirma.

“O PNUD trabalha há alguns anos para ampliar o acesso à Justiça. Isso é central para a garantia dos direitos e para o desenvolvimento humano”, explica a representante-residente assistente e coordenadora da área programática do PNUD, Maristela Baioni.

Para ela, a solução pode trazer celeridade aos trâmites judiciais, ampliando a disponibilidade desses recursos à população. “Aquele que busca pela Justiça quer soluções aplicáveis agora e não dentro de quatro ou cinco anos. Dessa forma, é bastante importante que a Justiça se faça presente e que as pessoas tenham acesso a ela, de forma eficiente e que realmente atenda aos direitos e necessidades da população.”