Civis ‘não podem ser um alvo’, diz ACNUR após escalada militar no norte da Síria

O aumento das operações militares no nordeste da Síria obrigou dezenas de milhares de civis a procurar abrigo, disse a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) nesta quinta-feira (10), um dia depois de a Turquia ter lançado ataques aéreos e uma ofensiva terrestre na fronteira entre os dois países.

A chefe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) também manifestou preocupação com os últimos desenvolvimentos no país devastado pela guerra, decorrentes da decisão anunciada no domingo (6) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar as tropas norte-americanas da região.

Criança caminha no campo de Al Hol, nordeste da Síria. O campo abriga mais de 70 mil pessoas, das quais mais de 90% são mulheres e crianças. Foto: OCHA/Hedinn Halldorsson

Criança caminha no campo de Al Hol, nordeste da Síria. O campo abriga mais de 70 mil pessoas, das quais mais de 90% são mulheres e crianças. Foto: OCHA/Hedinn Halldorsson

O aumento das operações militares no nordeste da Síria obrigou dezenas de milhares de civis a procurar abrigo, disse a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) nesta quinta-feira (10), um dia depois de a Turquia ter lançado ataques aéreos e uma ofensiva terrestre na fronteira entre os dois países.

O ACNUR está pedindo a todos os lados que respeitem a lei internacional de direitos humanos, que prevê acesso das organizações de ajuda humanitária às pessoas necessitadas.

“Centenas de milhares de civis no norte da Síria estão agora em perigo. Civis e infraestrutura civil não podem ser um alvo”, afirmou o alto-comissário da ONU para refugiados, Filippo Grandi.

O ACNUR alerta que a situação deve provocar ainda mais sofrimento para uma população que enfrenta a maior crise de deslocamento do mundo, com mais de 5 milhões de sírios vivendo como refugiados, enquanto outros 6 milhões estão internamente deslocados.

A chefe do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) também manifestou preocupação com os últimos desenvolvimentos no país devastado pela guerra, decorrentes da decisão anunciada no domingo (6) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar as tropas norte-americanas da região.

As forças americanas trabalham ao lado da milícia curda há anos, conhecida como YPG, considerada terrorista pela Turquia.

A diretora-executiva do UNICEF, Henrietta Fore, disse que “uma escalada militar teria consequências dramáticas na capacidade dos atores humanitários de fornecer assistência e proteção a milhares de crianças vulneráveis”.

Além disso, qualquer nova campanha militar pode levar à insegurança e ao caos, o que poderia criar circunstâncias para o ressurgimento do grupo extremista Estado Islâmico, de acordo com os membros da Comissão Internacional Independente de Inquérito que investigam violações cometidas no conflito sírio que já leva oito anos.

“A última coisa de que os sírios precisam agora é de uma nova onda de violência”, afirmaram.

Os comissários disseram que mais de 100.000 pessoas deslocadas anteriormente, a maioria mulheres e crianças com supostos vínculos com combatentes do Estado Islâmico, permanecem em campos improvisados ​​”com acesso limitado a serviços básicos e em risco de radicalização na ausência de programas de reabilitação por idade e gênero”.