Civis na Síria estão em risco devido a manobras do governo e de terroristas, diz ONU

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Os últimos meses foram alguns dos piores para os civis vivendo na Síria, alertou na quinta-feira (30) o coordenador humanitário das Nações Unidas, Stephen O’Brien, em pronunciamento no Conselho de Segurança. Por causa de operações militares, mais de 400 mil pessoas correm perigo na província de Raqqa, onde está localizado o centro de poder do Estado Islâmico (ISIL). Na região rural de Damasco, outros 400 mil sírios estão sob cerco do governo.

A família Mahmut, da Síria, começou uma nova vida em Ottawa, em 2016, após ser escolhida para participar do programa de reassentamento do Canadá. Iniciativa foi criada para beneficiar 25 mil refugiados sírios. Foto: ACNUR/James Park

A família Mahmut, da Síria, começou uma nova vida em Ottawa, em 2016, após ser escolhida para participar do programa de reassentamento do Canadá. Iniciativa foi criada para beneficiar 25 mil refugiados sírios. Foto: ACNUR/James Park

Os últimos meses foram alguns dos piores para os civis vivendo na Síria, alertou na quinta-feira (30) o coordenador humanitário das Nações Unidas, Stephen O’Brien, em pronunciamento no Conselho de Segurança. Por causa de operações militares, mais de 400 mil pessoas correm perigo na província de Raqqa, onde está localizado o centro de poder do Estado Islâmico (ISIL). Na região rural de Damasco, outros 400 mil sírios estão sob cerco do governo.

“A violência continua a dar as caras em várias partes do país, mesmo tendo amplamente desaparecido do noticiário global desde a evacuação do leste de Alepo”, alertou o dirigente. O’Brien lembrou que os diálogos pela paz entre as partes do conflito haviam recomeçado em Genebra e que as expectativas em torno das negociações eram bastante altas.

Conforme os confrontos se aproximarem da cidade Raqqa, capital da província homônima, “preocupações com o destino dos civis só tenderão a crescer”, acrescentou o chefe humanitário. “Eu apelo a todas as partes para que façam tudo em seu poder para proteger e poupar os civis dos efeitos das hostilidades, tal como é exigido, e não apenas solicitado, pelo direito humanitário internacional.”

Na Ghoutta oriental, zona rural de Damasco, comboios da ONU são impedidos de entregar ajuda humanitária à população desde outubro do ano passado, devido a bloqueios feitos pelas próprias autoridades sírias. Nos últimos dez dias, caminhões comerciais também foram barrados, o que provocou um aumento nos preços de alimentos básicos.

“O recrudescimento do cerco disparou uma bomba relógio para o povo da Ghoutta oriental”, ressaltou O’Brien, que pediu acesso imediato à população. Ele lembrou que agências e organismos internacionais esperavam que 2017 seria um ano melhor para a ajuda humanitária. O que foi visto até o momento, porém, indica que não houve qualquer progresso em comparação a 2016.

O pronunciamento de O’Brien veio poucos dias antes de uma conferência que reunirá Estados-membros para aprovar doações à resposta humanitária na Síria. O encontro acontece no dia 5 de abril, em Bruxelas, e será copresidido pela ONU. O plano das Nações Unidas e parceiros para levar assistência à população da Síria dentro e fora do país, em nações vizinhas, precisa de 3,7 bilhões de dólares.

Promessas de reassentamento

Também nesta semana, o alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, lamentou que o número de refugiados sírios reassentados em 2016 foi menor do que o que havia sido previsto no início do ano passado. Refugiados do país em guerra já somam mais de 5 milhões.

“Apesar do apelo feito durante a reunião de 30 de março de 2016 em Genebra para reassentar e facilitar vias de trânsito para 500 mil refugiados, (apenas) 250 mil vagas foram disponibilizadas até o momento”, afirmou Grandi. A promessa dos Estados-membros foi feita num encontro de alto nível, onde ficou acordado o reassentamento de 10% da população refugiada da Síria até 2018.


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