Civis enfrentam impacto de ‘guerra absurda’ no Iêmen, diz oficial da ONU

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Após ataques aéreos contra uma fazenda e um mercado popular deixarem cerca de 70 mortos no início desta semana no Iêmen, o principal representante humanitário da ONU no país denunciou os incidentes e lembrou as partes em conflito sobre suas obrigações legais internacionais de poupar civis e infraestruturas.

“Esses incidentes provam o completo desprezo pela vida humana que todas as partes, incluindo a coalizão liderada pela Arábia Saudita, continuam a demonstrar”, disse Jamie McGoldrick, coordenador humanitário para o Iêmen, em comunicado publicado na quinta-feira (28).

A cidade iemenita de Saada foi fortemente atingida por ataques aéreos desde que o conflito se intensificou no ano passado. Na foto, mercado destruído por ataque aéreo em abril de 2015. Foto: OCHA/Philippe Kropf

A cidade iemenita de Saada foi fortemente atingida por ataques aéreos desde que o conflito se intensificou no ano passado. Na foto, mercado destruído por ataque aéreo em abril de 2015. Foto: OCHA/Philippe Kropf

Após ataques aéreos contra uma fazenda e um mercado popular deixarem cerca de 70 mortos no início desta semana no Iêmen, o principal representante humanitário da ONU no país denunciou os incidentes e lembrou as partes em conflito sobre suas obrigações legais internacionais de poupar civis e infraestruturas.

“Esses incidentes provam o completo desprezo pela vida humana que todas as partes, incluindo a coalizão liderada pela Arábia Saudita, continuam a demonstrar”, disse Jamie McGoldrick, coordenador humanitário para o Iêmen, em comunicado publicado na quinta-feira (28).

Denunciando esta “guerra absurda”, ele disse que o conflito só resultou na destruição do país e no “sofrimento imensurável de seu povo, que está sendo punido como parte de uma campanha militar fútil de ambos os lados”.

Relatórios iniciais do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) indicaram que, em 26 de dezembro, ataques aéreos contra um popular mercado do distrito de Attazziah, na província de Taiz, deixaram ao menos 54 civis mortos, incluindo oito crianças, e 32 feridos, incluindo seis crianças.

Durante os últimos dias, áreas residenciais do vilarejo de Al Hayma, incluindo um centro de saúde ocupado por pessoas internamente deslocadas, foram alvo de um bloqueio por parte das autoridades e bombardeios indiscriminados que resultaram na mortes de residentes e no deslocamento de muitas famílias para áreas mais seguras.

Também em 26 de dezembro, um ataque aéreo contra uma fazenda no distrito de Attohayta, na província de Al Hudaydah, deixou 14 mortos da mesma família. As novas vítimas se somam a 84 mortes de civis registradas nos últimos dez dias por todo o Iêmen.

“Lembro todas as partes em conflito, incluindo a coalizão liderada pela Arábia Saudita, sobre suas obrigações diante da lei humanitária internacional de poupar civis e infraestruturas e sempre distinguir entre alvos civis e militares”, disse McGoldrick.

Ele lembrou que o conflito do Iêmen atingiu a marca de 1 mil dias. Civis tem arcado com o impacto dos confrontos, e “mais uma vez, lembro todas as partes de que não há solução militar”, disse. “Só pode haver uma solução política”, concluiu.


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