Civis ‘continuam pagando preço mais alto’ de conflito na Ucrânia

Civis continuam “pagando o preço mais alto” do conflito em andamento na Ucrânia envolvendo rebeldes separatistas no leste do país, afirmou a vice-chefe humanitária das Nações Unidas ao Conselho de Segurança na terça-feira (12).

“Mais de 3.300 civis foram mortos e até 9 mil ficaram feridos desde que o conflito começou, em 2014”, disse Ursula Mueller, secretária-geral assistente das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, a membros do Conselho, acrescentando que até 1,5 milhão de pessoas foram deslocadas internamente.

Em 2019, disse Mueller, 3,5 milhões de pessoas precisarão de serviços de assistência humanitária e proteção, “muitas delas idosas, mulheres e crianças”.

Condições de vida da população ucraniana que vive próximo a áreas de conflito têm se agravado. Foto: ACNUR/Anastasia Vlasova

Condições de vida da população ucraniana que vive próximo a áreas de conflito têm se agravado.
Foto: ACNUR/Anastasia Vlasova

Civis continuam “pagando o preço mais alto” do conflito em andamento na Ucrânia envolvendo rebeldes separatistas no leste do país, afirmou a vice-chefe humanitária das Nações Unidas ao Conselho de Segurança na terça-feira (12).

“Mais de 3.300 civis foram mortos e até 9 mil ficaram feridos desde que o conflito começou, em 2014”, disse Ursula Mueller, secretária-geral assistente das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, a membros do Conselho, acrescentando que até 1,5 milhão de pessoas foram deslocadas internamente.

Em 2019, disse Mueller, 3,5 milhões de pessoas precisarão de serviços de assistência humanitária e proteção, “muitas delas idosas, mulheres e crianças”.

O impacto do conflito destruiu meios de subsistência, esgotou recursos limitados e danificou infraestruturas, “aumentando o sofrimento das pessoas”.

“As partes do conflito devem tomar todas as precauções possíveis para evitar, e em quaisquer eventos minimizar, danos civis”, destacou. “A lei humanitária internacional deve ser mantida para proteger civis e infraestruturas civis essenciais, em todos os momentos, em todos os lugares e por todas as partes”.

Mueller descreveu a linha que divide forças do governo e milícia separatista como um território repleto de “bombardeios, tiros de atiradores de elite e minas terrestres”, representando uma “realidade diária para milhões”.

“Nós não nos esquecemos de vocês. Continuaremos fazendo tudo o que podemos para aliviar seus sofrimentos diários e para pedir paz duradoura”, disse, concluindo seu briefing sobre a situação humanitária no país.

Acordos de Minsk não implementados

Sobre as ações mais recentes para implementação do único “acordo aceito” para um cessar-fogo no leste da Ucrânia, conhecido como Acordo de Minsk, o secretário-geral assistente das Nações Unidas para Assuntos Políticos, Miroslav Jenča, disse ao Conselho que “negociações parecem ter perdido impulso, com as principais partes envolvidas incapazes, ou indispostas, de alcançar um acordo sobre os principais passos à frente”.

O Acordo de Minsk, de fevereiro de 2015, foi aceito por líderes de Ucrânia, Rússia, França e Alemanha e estabeleceu os passos necessários para restaurar a paz no leste do país.

Jenča relembrou o comunicado do Conselho de junho de 2018, que reafirmou de forma unânime a centralidade do Acordo de Minsk, destacando que ele permanece, quatro anos depois, “amplamente não implementado”.

Enfatizando o progresso paralisado, ele pediu que todas as partes “implementem completamente as medidas, incluindo um necessário cessar-fogo abrangente e duradouro”.

Como constantemente destacado ao longo dos últimos anos, o conflito no leste da Ucrânia não está “nem adormecido, nem congelado”, disse Jenča, e “continua deixando vítimas”.

Ressaltando que outra rodada de discussões irá acontecer na capital de Belarus nesta semana, convocada pelo Grupo de Contato Trilateral — com representantes de Ucrânia, Rússia e da Organização para Segurança e Cooperação na Europa —, ele expressou a “sincera esperança e expectativa das Nações Unidas” por resultados tangíveis.

“Há um necessidade urgente de concordar em medidas adicionais que irão tornar o cessar-fogo sustentável e irreversível”, enfatizou Jenča.

“Mais de meio milhão de pessoas vivem em cinco quilômetros da linha de contato e estão expostas a periódicos bombardeios, trocas de tiros, minas terrestres e aparatos não detonados”, disse, acrescentando que a área em torno da linha de contato permanece “entre as mais contaminadas por minas no mundo”.

Destacando que o conflito em breve entrará em seu sexto ano, ele o classificou como “uma ameaça ativa à paz e à segurança internacional”.


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