Cisjordânia: ONU alerta para impacto da ocupação israelense na educação de palestinos

Representantes de agências da ONU expressaram preocupação na quarta-feira (30) com o grande número de incidentes dentro ou próximos de escolas palestinas na Cisjordânia, incluindo confrontos entre alunos e forças de segurança e atos de violência de colonos israelenses.

Pronunciamento de organismos internacionais também alerta para a situação de professores que são parados em postos de checagem, o que prejudica as atividades de ensino.

O palestino Hamid, de oito anos, olha para a cidade de Hebron da cobertura de sua casa. Foto: UNICEF/Ahed Izhiman

O palestino Hamid, de oito anos, olha para a cidade de Hebron da cobertura de sua casa. Postos de verificação estão espalhados pela cidade velha de Hebron, que faz parte da área conhecida como H2 na Cisjordânia. Os postos afetam o movimento das pessoas, incluindo o acesso à educação, uma vez que muitas crianças passam por um ou mais locais de verificação a caminho da escola. Foto: UNICEF/Ahed Izhiman

Representantes de agências da ONU expressaram preocupação na quarta-feira (30) com o grande número de incidentes dentro ou próximo de escolas palestinas na Cisjordânia, incluindo confrontos entre alunos e forças de segurança e atos de violência de colonos israelenses. O pronunciamento de organismos internacionais também alerta para a situação de professores que são parados em postos de checagem, o que prejudica as atividades de ensino.

“Salas de aula devem ser um santuário de conflitos, onde crianças podem aprender e crescer como cidadãs ativas”, disse o coordenador humanitário da ONU para a região, Jamie McGoldrick, em comunicado assinado também pela representante especial do UNICEF, Genevieve Boutin, e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

O posicionamento expressa preocupação com os episódios de violência desde o início do ano letivo, em setembro passado, e pede que as instituições escolares sejam mais protegidas dos efeitos da ocupação israelense. Somente em 2018, a ONU documentou 111 casos diferentes de interferências na ensino na Cisjordânia, afetando mais de 19 mil crianças.

Destacando o impacto dos incidentes no acesso seguro à educação, o comunicado ressaltou “ameaças de demolição, confrontos no caminho para a escola entre alunos e forças de segurança, professores parados em postos de checagem e ações violentas de forças israelenses e colonos em algumas ocasiões”.

“Crianças nunca devem ser alvo de violência e não devem ser expostas a qualquer forma de violência”, disseram as duas autoridades seniores da ONU na região.

Os dirigentes pediram um ambiente seguro para a aprendizagem e a garantia do direito à educação de qualidade pra milhares de crianças palestinas.