Cinco brasileiros ganham concurso de redação da ONU ‘Várias Línguas, Um Mundo’

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Competição escolheu 70 candidatos com os melhores textos sobre desenvolvimento sustentável, redigidos em um idioma oficial das Nações Unidas, diferente de sua língua materna.

Os cinco brasileiros vencedores. Foto: Rádio ONU

Os cinco brasileiros vencedores. Foto: Rádio ONU

Setenta jovens de 42 nações, todos vencedores do concurso ‘Várias Línguas, Um Mundo’, se encontraram na sede da ONU em Nova York nesta sexta-feira (24) para o Fórum Global da Juventude. Cinco brasileiros se destacaram entre os 1,2 mil candidatos, que deveriam enviar seus textos em uma das cinco línguas oficiais da ONU – árabe, chinês, espanhol, inglês, francês e russo – diferentes da sua língua materna.

“Foi exigido que vocês fizessem algo inspirador e desafiador – escrever uma redação em uma língua oficial da ONU que não fosse a sua”, disse o chefe da ONU em uma mensagem lida pela subsecretária-geral para Comunicações e Informação Pública, Cristina Gallach. “E vocês o fizeram no aniversário de 70 anos da ONU. Vocês são nosso time ’70 por 70’!”.

A competição foi organizada pelas Nações Unidas e pela rede de ensino de idiomas ELS. O desafio era escrever uma redação sobre a nova agenda global de desenvolvimento sustentável, mas os candidatos não podiam escrever os textos em sua língua materna.

Brasileiros na competição

Cinco brasileiros estão entre o grupo de 70 jovens que apresentaram as melhores redações. Em Nova York, durante a cerimônia na Assembleia Geral, a estudante Fernanda Vilar explicou à Rádio ONU o conteúdo do seu texto, escrito em francês.

“No meu ensaio, eu propus uma visão do mundo voltada para uma filosofia veganista e com muito mais feminismo para proteger os direitos das mulheres. Como o problema da alimentação está no centro dos interesses hoje em dia, com tantas indústrias sendo denunciadas por práticas abusivas de animais e também de pesticidas e transgênicos, é fundamental pensar na comida e em como produzir de uma maneira ética. Produzimos tanto e tanta gente está passando fome, este é um tema central para ser debatido”, explicou Fernanda, que faz doutorado na Universidade Nanterre, em Paris.

Outro estudante de doutorado brasileiro também venceu o concurso. Jefferson Viana é aluno da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e escreveu a redação em espanhol.

“O multilinguismo é interessante porque a despeito de existirem expressões diferentes, existirem maneiras de pensar diferentes, me parecem que coincidem os grandes problemas da humanidade. Fome, desigualdade, falta de participação popular nas decisões políticas. O multilinguismo permite enxergar mais claramente ainda os principais problemas do mundo.”

Os outros brasileiros que tiveram seus trabalhos escolhidos são  Aline Moniela, de Taubaté, que escreveu sobre melhorias nas leis migratórias e na educação da diversidade para a promoção de mais harmonia e menos preconceito. Lucas Cotosck Lara, de Belo Horizonte, que propôs um pensamento crítico nas escolas para que as pessoas possam compreender melhor as causas da fome e suas consequências. E Thaun dos Santos, do Rio de Janeiro, que abordou a necessidade de dar prioridade às questões políticas e sociais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.


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