Cinco anos de conflito na Síria: crise de refugiados e deslocados clama por solidariedade

ACNUR alerta que refugiados que buscam saídas do conflito enfrentam grandes obstáculos para encontrar segurança, enquanto a solidariedade internacional falha em responder e refletir a escala e gravidade desta tragédia humanitária de tantas vítimas.

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Como a guerra Síria completando outro marco sombrio nesta terça-feira (15), os refugiados que buscam saídas do conflito que já dura cinco anos enfrentam grandes obstáculos para encontrar segurança, enquanto a solidariedade internacional falha em responder e refletir a escala e gravidade desta tragédia humanitária de tantas vítimas.

“A Síria é a maior crise humanitária e de refugiados do nosso tempo, que continua causando sofrimento para milhões de pessoas e que deveria atrair o apoio de todo o mundo”, disse o alto comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi.

O chefe do ACNUR acrescentou que apenas um acordo político poderia acabar com o sofrimento e que, ao mesmo tempo, mais países deveriam aceitar uma parcela maior de refugiados em seus territórios.

Enquanto há uma vaga esperança de maior acesso à ajuda humanitária na Síria, a cessação das hostilidades, as negociações de paz renovadas e promessas de mais recursos financeiros, o 5º aniversário da guerra Síria vem em meio a um cenário em que as fronteiras estão sendo cada vez mais restringidas pelos países vizinhos devido ao esgotamento e sob a tensão de acolher tantos refugiados. Isso faz com que milhares de pessoas vulneráveis estejam retidas dentro da Síria, incapazes de deixar o país.

Além disso, os Estados europeus que já acolheram sírios estão agora fechando as portas diante do crescente número de refugiados que buscam segurança no continente. Vários países impuseram restrições de entrada e de fronteira, levando a um acúmulo de dezenas de milhares de refugiados na Grécia, enquanto a União Europeia negocia com a Turquia um acordo que poderia enviar os solicitantes de refúgio de volta ao país.

Enquanto isso, os refugiados nos países vizinhos da Síria estão mais vulneráveis que nunca, elevando-se os riscos para sobreviver, embarcando em viagens perigosas para a Europa ou recorrendo a perigosas estratégias de sobrevivência – como o trabalho infantil, o casamento precoce ou a exploração sexual.

Grandi disse que, embora as promessas dos doadores de arrecadar mais de 5,9 bilhões de dólares para 2016 para ajuda humanitária e desenvolvimento em Londres no mês passado sejam bem-vindas, os fundos precisam ser urgentemente desembolsados e acompanhados por outras formas de solidariedade internacional.

Estas incluem melhor acesso aos meios de subsistência e educação para a maioria dos refugiados nos países vizinhos, além de uma maior partilha de responsabilidade por mais países em todo o mundo, por meio de sistemas de refúgio abertos e o aumento de oportunidades para sírios para se deslocarem para outros países através de canais organizados.

‘Solidariedade para além dos recursos financeiros’

“Uma tragédia desta escala demanda uma solidariedade para além dos recursos financeiros. Simplificando, precisamos de mais países para compartilhar o fardo, tomando uma parcela maior de refugiados desta que se tornou a maior crise de deslocamento de uma geração”, disse Grandi.

No dia 30 de março, o ACNUR sediará uma conferência internacional de alto nível em Genebra, pedindo aos governos um aumento expressivo de acolhimento de sírios. Até o momento, cerca de 170 mil pedidos de acolhimento foram prometidos por governos em todo o mundo. O ACNUR espera aumentar esse número para pelo menos 10% da população refugiada registrada ao longo dos próximos anos, atualmente em 4,8 milhões de pessoas apenas na região do entorno do conflito.

No marco do 5º aniversário da guerra da Síria, a reunião de 30 de março será uma oportunidade para governos e comunidades em todo o mundo aumentarem concretamente seus respectivos apoios aos sírios, disse a agência da ONU.

“Estamos em uma encruzilhada agora, enquanto se completa mais um triste marco da guerra da Síria: se o mundo não consegue trabalhar em conjunto devido aos interesses de curto prazo, à falta de reações corajosas e coordenadas visando ao compartilhamento das responsabilidades, vamos olhar para trás com arrependimento sobre esta oportunidade perdida para agir com solidariedade e humanidade compartilhada”, disse Grandi.

Cinco anos depois, o conflito da Síria gerou 4,8 milhões de refugiados nos países vizinhos, centenas de milhares na Europa e 6,6 milhões de pessoas deslocadas dentro da Síria – a população antes da guerra era de mais de 20 milhões.