Cidade no Mali registra queda de 60% no abastecimento de água potável, alerta ONU

O apelo de 410 milhões de dólares para ajuda humanitária no país, até o momento, foi financiado apenas em 29%.

Os membros de uma delegação interagencial da ONU em Gao, no Mali. Foto: OCHA / Ngolo Diarra

Os membros de uma delegação interagencial da ONU em Gao, no Mali. Foto: OCHA / Ngolo Diarra

O Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) alertou na terça-feira (28) para as graves necessidades humanitárias na cidade de Gao, no leste do Mali. Na cidade, onde vivem cerca de 70 mil pessoas, a quantidade de água potável disponível caiu em 60% nas últimas semanas e são crescentes as necessidades de assistência alimentar.

A cidade foi uma das áreas afetadas pela luta iniciada em janeiro do ano passado entre as forças governamentais e rebeldes tuaregues, quando radicais islâmicos tomaram o controle do norte do país.

Uma recente missão interagencial para Gao, liderada pelo coordenador humanitário da ONU para o Mali, Aurélien Agbénonci, constatou que a recuperação do abastecimento de água na cidade é fundamental para ajudar urgentemente a população. “A água é a principal questão: alguns bairros em Gao não tinham água devido ao bombeamento defeituoso e à falta de eletricidade”, disse Laerke. “Fora da cidade, a situação é ainda pior porque o rio Níger era a única fonte de água e houve preocupação sobre surtos de cólera”, completou.

De acordo com o porta-voz  do OCHA, Jens Laerke, 22 casos de cólera foram registrados em maio e duas pessoas morreram. Não foram notificados novos casos nos últimos cinco dias, no entanto, o risco da doença manteve-se elevado. O OCHA enviou dois funcionários para Gao e está em processo de abertura de um escritório local. Ao todo, são mais de 100 organizações humanitárias no Mali.

A missão distribui alimentos  para cerca de um terço da população em Gao e  cobria apenas parte das necessidades. O apelo de 410 milhões de dólares para ajuda humanitária no país, até o momento, foi financiado em 29%.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) avalia que 174 mil malianos encontraram refúgio em países vizinhos desde que o conflito começou em janeiro de 2012. A Mauritânia acolhe 74 mil malianos, Burkina Faso e Níger acolhem 50 mil cada e pequenos grupos de refugiados também estão na Argélia.