China: ONU pede libertação de ativistas detidos antes do aniversário dos protestos de 1989

Segundo relatos, dezenas de pessoas foram supostamente detidas pelas autoridades, acusadas de “criar uma pertubação” por participarem de uma discussão particular sobre os acontecimentos de 1989 na Praça da Paz Celestial.

Praça Tian'anmen, onde ocorreram os principais protestos em 1989. Foto: DF08/Wikimedia Commons

Praça Tian’anmen, onde ocorreram os principais protestos em 1989. Foto: DF08/Wikimedia Commons

A alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, expressou preocupação em relação à detenção de advogados, jornalistas e ativistas da sociedade civil da China, às vésperas do 25° aniversário dos protestos da Praça da Paz Celestial – também conhecida como Praça de Tian’anmen –, em um comunicado divulgado nesta terça-feira (3).

Segundo relatos, dezenas de pessoas foram supostamente detidas pelas autoridades, acusadas de “criar uma pertubação” por participarem de uma discussão particular sobre os acontecimentos de 1989 na Praça. Também há relatos de que as autoridades colocaram restrições relacionadas ao aniversário nos meios de comunicação tradicionais, nas mídias sociais e no uso da Internet.

“Exorto as autoridades chinesas a libertar imediatamente os detidos para o exercício do seu direito humano à liberdade de expressão”, disse Pillay. “Ao invés de reprimir tentativas para comemorar os eventos de 1989, as autoridades devem incentivar e facilitar o diálogo e discussão, como forma de superar o legado do passado”, acrescentou.

Pllay também salientou a necessidade de uma investigação para estabelecer os fatos que cercam o que aconteceu entre 3 e 4 de junho de 1989. “O número de mortos, por exemplo, varia de centenas de milhares de pessoas, e muitas famílias das vítimas ainda estão aguardando uma explicação sobre o que aconteceu com seus entes queridos”, acrescentou.