Cheias no Rio: OMM sugere maior coordenação com defesa civil

Para agência da ONU, é preciso analisar o percurso da informação da previsão até a chegada à Defesa Civil e após a produção dos alertas.

Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.

Um dos vice-presidentes da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), Divino Moura, afirmou que a coordenação sobre os alertas do tempo, em parceria com a Defesa Civil, precisa ser revista. A afirmação foi feita, nesta segunda-feira (17/1), numa entrevista à Rádio ONU sobre as cheias que destruíram parte da Região Serrana do Rio, além das enchentes na Austrália e no Sri Lanka.

“Eu acho que o sistema tem que ser mais bem articulado. Nós temos por norma que adotar o que a OMM aconselha. Uma chuva intensa tem um certo significado, uma rajada de vento etc. E talvez, essa informação do ponto de vista da Defesa Civil precisa ser melhor traduzida. Eu acredito que estamos num momento muito apropriado de rever essas nomenclaturas e conceitos e trabalhar mais junto com a Defesa Civi”, disse.

Segundo a mídia local, as cheias mataram mais de 640 pessoas. Mas muitas vítimas ainda estão desaparecidas.

Prevenção

O vice-presidente da OMM contou à Rádio ONU que as enchentes já são um dos maiores desastres naturais da história do Brasil. Segundo ele, para evitar outras tragédias, será preciso investir pesado em prevenção. E citou o caso de Porto Alegre, que sofreu com cheias nos anos 40. “Foi uma enchente muito grande. E desde então, isso já tem 70 anos, não se ouve muito falar em enchentes em Porto Alegre. O que houve da própria prefeitura local foi uma série de construções. E tem um muro alto lá que veda, por exemplo, o transbordamento do Rio Iguaçu. Há uma necessidade de se fazer obras, prevenção e se evitar uma ocupação irracional dessas áreas”, afirmou.

Nesta segunda-feira (17/1), a OMM informou que está analisando se o mesmo fenômeno La Ninã, que causou as chuvas na Austrália, teria sido o motivo das cheias no Sri Lanka e na região serrana do Rio de Janeiro.

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