Chefes de Estado reúnem-se em Marrakesh para definir regras do Acordo de Paris

Dez dias depois da entrada em vigor do Acordo de Paris, dezenas de chefes de Estado e de governo reúnem-se de terça-feira (15) na 22ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP22), em Marrakesh, no Marrocos, para definir as regras do pacto e detalhar um plano viável para fornecer ao menos 100 bilhões de dólares por ano para que os países em desenvolvimento realizem ações de adaptação e combate às mudanças climáticas.

O presidente da COP22, Salaheddine Mezouar (esquerda), com a presidente da COP21, Ségolène Royal, durante a abertura da conferência deste ano em Marrakesh, Morrocos. Foto: UNFCCC

O presidente da COP22, Salaheddine Mezouar (esquerda), com a presidente da COP21, Ségolène Royal, durante a abertura da conferência deste ano em Marrakesh, Morrocos. Foto: UNFCCC

Dez dias depois da entrada em vigor do Acordo de Paris, dezenas de chefes de Estado e de governo reúnem-se de terça-feira (15) na 22ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP22), em Marrakesh, no Marrocos, para definir as regras do pacto e detalhar um plano viável para fornecer ao menos 100 bilhões de dólares por ano para que os países em desenvolvimento realizem ações de adaptação e combate às mudanças climáticas.

Adotado por 196 países em dezembro do ano passado na Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), o Acordo de Paris pretende fortalecer a resposta global à ameaça das mudanças climáticas mantendo o aumento da temperatura global neste século bem abaixo dos 2 graus Celsius, buscando limitá-lo a 1,5 grau. O acordo entrou em vigor em 4 de novembro.

A Conferência de Marrakesh inclui diversas reuniões, entre elas o evento de alto nível com dezenas de chefes de Estado e de governo que ocorrerá na terça-feira.
Durante a primeira semana da COP22, paralelamente às negociações entre as partes, uma série de eventos temáticos sobre florestas, água, cidades, energia e transporte enfatizou o papel crucial de atores não estatais, incluindo empresas, organizações urbanas e não governamentais, na implementação do acordo.

No sábado (12), a secretária-executiva da UNFCCC, Patricia Espinosa, elogiou o fato de que 105 países ratificaram o Acordo de Paris. “Isso dá ao pacto muito peso e muita credibilidade”, disse em coletiva de imprensa.

“Ocorreu em tempo recorde”, acrescentou. “Tivemos um sucesso inesperado de diversas maneiras na entrada em vigor do pacto muito mais cedo do que o esperado. Mas agora, ao mesmo tempo, temos mais urgência em trabalhar e finalizar os elementos de que precisamos para que fique totalmente operacional”.

O presidente da COP22, Salaheddine Mezouar, disse que há “um estado de espírito extremamente positivo, um comprometimento de todos para manter o impulso e ajudar a COP22 a ser aquela que todos queríamos”.

Questionado sobre a incerteza levantada pelas eleições presidenciais norte-americanas e a eleição de Donald Trump, Mezouar disse que os participantes da Conferência de Marrakesh permanecem “confiantes” e que é necessário “manter o curso e esse impulso extraordinário”.

Importância da Cooperação Sul-Sul

A Cooperação Sul-Sul está crescendo, enquanto os países em desenvolvimento ajudam uns aos outros a enfrentar as mudanças climáticas, impulsionar o desenvolvimento sustentável e o Acordo de Paris, disseram oficiais das Nações Unidas e de governos durante evento da COP22 nesta quinta-feira (14).

“É encorajador e inspirador ver como a Cooperação Sul-Sul está ganhando força”, declarou o relator especial do secretário-geral da ONU para a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e o combate às mudanças climáticas, David Nabarro, durante fórum sobre o tema.

Nabarro enfatizou que as Parcerias Climáticas para o Sul Global, iniciadas pelo secretário-geral da ONU paralelamente à cerimônia de assinatura do Acordo de Paris, realizada na sede da ONU em Nova York em abril, “é sobre fazer conexões”.

As Nações Unidas lançaram a iniciativa para ajudar os países em desenvolvimento a se adaptar e combater as mudanças climáticas. A ação analisou 300 casos bem sucedidos de parcerias bilaterais, trilaterais e plurilaterais facilitadas pela ONU, por organizações não governamentais e bancos de desenvolvimento multilaterais.