Chefe humanitário pede apoio do Conselho de Segurança para garantir assistência à população síria

Com o inverno rigoroso piorando as condições de vida da população da Síria, o chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock, pediu na quarta-feira (30) que o Conselho de Segurança apoie a entrega segura de assistência no país. Dirigente também solicitou que fundos internacionais contribuam com o orçamento de ajuda emergencial, essencial para civis que vivem em meio à chuva, neve e baixas temperaturas.

Crianças no acampamento de Batbu, em Alepo, na Síria. Foto: UNICEF/Watad

Crianças no acampamento de Batbu, em Alepo, na Síria. Foto: UNICEF/Watad

Com o inverno rigoroso piorando as condições de vida da população da Síria, o chefe humanitário da ONU, Mark Lowcock, pediu na quarta-feira (30) que o Conselho de Segurança apoie a entrega segura de assistência no país. Dirigente também solicitou que fundos internacionais contribuam com o orçamento de ajuda emergencial, essencial para civis que vivem em meio à chuva, neve e baixas temperaturas.

“Milhões estão vivendo embaixo de tendas ou lonas ou em prédios danificados sem energia elétrica ou aquecimento. Há escassez severa de todos os (bens) básicos – de cobertores a leite e bandagens”, disse Lowcock ao Conselho de Segurança, acrescentando que as duras condições climáticas estão destruindo abrigos improvisados e forçando dezenas de milhares de pessoas a se mudar.

Segundo o chefe humanitário, desde o final do ano passado, a ONU e seus parceiros estão levantando fundos para apoiar sírios vulneráveis com itens essenciais de inverno, incluindo aquecedores, cobertores, casacos e roupas quentes.

“Nós arrecadamos 81 milhões de dólares até o momento, o que nos permitiu ajudar 1,2 milhão de pessoas. O apoio contínuo é crítico para garantir que todas as pessoas necessitadas sejam alcançadas”, disse o dirigente.

Sobre Idlib, Lowcock afirmou que o inverno pode ser difícil para a população da região, onde o risco de uma escalada militar continua presente. Durante o segundo semestre do ano passado, o Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), chefiado por Lowcock, expressou preocupações recorrentes com a situação dos 3 milhões de sírios em Idlib e áreas vizinhas no noroeste da Síria. Caso uma incursão militar em grande escala aconteça nessas localidades, moradores não terão para onde ir.

Um acordo firmado em setembro entre a Rússia e a Turquia foi acompanhado por uma queda significativa nos confrontos no terreno e em ataques aéreos. O pacto prevê a criação de uma zona desmilitarizada em Idlib. Mas em janeiro, foi registrado um aumento dos conflitos entre grupos armados não estatais.

“Hoje eu reitero a importância de manter o acordo Rússia-Turquia e lembro a vocês que uma operação militar em larga escala em Idlib teria implicações humanitárias catastróficas”, disse Lowcock.

O dirigente lembrou que, no mês passado, o Conselho de Segurança estendeu para Idlib a autorização de operações interfronteiriças de emergência. Centenas de milhares de pessoas já eram alcançadas todos os meses por meio dessas operações em outras partes do território sírio. “Precisamos continuar sendo capazes de fornecer comida, remédios, tendas, suprimentos críticos de inverno e outros tipos de ajuda”, enfatizou o dirigente.

Em torno de 42 mil pessoas permanecem sem recursos no campo de Rukban, ao longo da fronteira da Síria com a Jordânia. As condições de vida no assentamento informal continuam piorando desde o último comboio humanitário enviado à área, no início de novembro. Oito crianças morreram no local desde o mês passado, segundo relatos.

“Novamente, o frio está tornando a situação ainda pior. Então, é crítico que as partes apoiem um segundo comboio a Rukban”, disse Lowcock, explicando que a ONU tem se envolvido em diversas frentes para garantir que isto possa acontecer. A Organização respondeu às preocupações demonstradas pela Rússia e pelo governo da Síria sobre a segurança do comboio e o monitoramento da distribuição de assistência.

“Em 27 de janeiro, nós recebemos aprovação verbal do Ministério das Relações Exteriores em Damasco para que o comboio procedesse. Garantias de segurança também foram recebidas da Rússia e das Forças Internacionais de Coalizão”, acrescentou Lowcock.

Planos estão em andamento para que o carregamento dos caminhões comece antes do final da semana, a fim de que a ajuda humanitária seja enviada até 5 de fevereiro.