Chefe do UNAIDS e Naomi Campbell visitam Lesoto para conhecer programas de HIV

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O diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Michel Sidibé, concluiu na semana passada (11) uma missão a três países africanos — Lesoto, África do Sul e Zâmbia. Ao longo da viagem, o dirigente se reuniu com gestores de saúde pública e ativistas para discutir os obstáculos ao fim da AIDS, entre eles a violência de gênero.

Michel Sidibé, chefe do UNAIDS (à direita), Naomi Campbell e o vice-primeiro-ministro do Lesoto, Monyane Moleleki, durante a inauguração da sala de situação sobre saúde e HIV. Foto: UNAIDS

Michel Sidibé, chefe do UNAIDS (à direita), Naomi Campbell e o vice-primeiro-ministro do Lesoto, Monyane Moleleki, durante a inauguração da sala de situação sobre saúde e HIV. Foto: UNAIDS

O diretor-executivo do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), Michel Sidibé, concluiu na semana passada (11) uma missão a três países africanos — Lesoto, África do Sul e Zâmbia. Ao longo da viagem, o dirigente se reuniu com gestores de saúde pública e ativistas para discutir os obstáculos ao fim da AIDS, entre eles a violência de gênero.

Em Lesoto, primeira nação visitada, o chefe da agência da ONU acompanhou a inauguração de uma sala de situação sobre saúde e HIV. Evento teve a presença da modelo britânica e embaixadora da Boa Vontade do UNAIDS, Naomi Campbell, que foi convidada pelo organismo internacional para acompanhar a visita de Sidibé ao país.

O organismo do Lesoto reúne e mostra, em tempo real, informações sobre a prestação de serviços de saúde. Com isso, permite traçar um panorama nacional e local sobre a resposta à epidemia, identificando gargalos no fornecimento de cuidados.

“O lançamento da sala de situação nos dá acesso a dados para moldar programas de saúde de impacto e eficientes. Esses são os tipos de inovações capazes de levar serviços àqueles que mais precisam deles e garantir que ninguém seja deixado para trás pela resposta à AIDS”, disse Sidibé.

Na véspera da inauguração, o chefe do UNAIDS e Naomi Campbell visitaram o Hospital Queen II, em Maseru, onde se reuniram com mulheres jovens que vivem com HIV e também com outras pessoas afetadas pelo vírus.

“Felicito o governo do Lesoto e os seus parceiros pelos progressos alcançados na resposta à AIDS. Mas o trabalho ainda está longe de ser concluído. A realidade é que não estamos alcançando meninas adolescentes e mulheres jovens. Deixo o Lesoto hoje empoderada, inspirada, encorajada e determinada a fazer tudo o que eu puder para dar ênfase a esta questão tão importante”, disse Naomi.

África do Sul: violência sexual e HIV

Na África do Sul, Sidibé se encontrou com ativistas da sociedade civil preocupados com a resposta do UNAIDS às alegações de assédio sexual e abuso dentro da organização. Em declaração divulgada após o evento, o chefe do organismo internacional disse que convocará uma reunião de mulheres na África pelo fim desse tipo de violação.

“A epidemia do HIV está inseparavelmente ligada à violência sexual e de gênero e ambas nunca podem ser separadas”, afirmou o dirigente. “Uma agenda transformadora para enfrentar o assédio sexual e a desigualdade de gênero é urgente.”

Sidibé acrescentou que “fazer-se ser ouvido está no cerne da existência da sociedade civil”. “Portanto, a sociedade civil nunca deve se sentir ameaçada a se calar por medo da perda de recursos, sejam financeiros ou outros. Vocês são uma colaboração autônoma e essencial para a resposta à AIDS, e nós devemos sempre preservar isso”, completou o chefe do UNAIDS.

Michel Sidibé, diretor-executivo do UNAIDS, em encontro com ativistas sul-africanas. Foto: UNAIDS

Michel Sidibé, diretor-executivo do UNAIDS, em encontro com ativistas sul-africanas. Foto: UNAIDS

Também durante sua passagem pelo território sul-africano, o especialista discursou no Parlamento Pan-Africano, onde defendeu a importância de abordagens integradas de saúde, centradas nas pessoas. Sidibé pediu que os parlamentares se comprometam a aumentar o financiamento dos serviços de saúde com recursos domésticos. Assim, será possível tornar a resposta à AIDS mais sustentável e implementar mais medidas preventivas. O dirigente também solicitou a aprovação de leis para proteger as mulheres e grupos vulneráveis.

Durante a sua visita à África do Sul, o chefe do organismo da ONU participou ainda de reuniões separadas com o presidente Cyril Ramaphosa, o vice-presidente do país e presidente do Conselho Nacional Sul-Africano de AIDS, David Mabuza, e o ministro da Saúde, Aaron Motsoaledi.

Dirigentes discutiram planos para aumentar o número de pessoas em tratamento para 2 milhões até 2020 no país. Outro item da pauta foi a necessidade de capacitar autoridades locais e provinciais para aproximar os serviços de tratamento e prevenção das comunidades mais vulneráveis.

Na Zâmbia, Sidibé participou da entrega do Prêmio de Liderança 2018 do UNAIDS, concedido a Kenneth Kaunda — o primeiro presidente da Zâmbia após a independência do Reino Unido. Ex-chefe de Estado foi reconhecido por seus esforços para melhorar a resposta à epidemia no país.


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