Chefe do ACNUR pede mais apoio da União Europeia para a Grécia em meio à crise de refugiados

Alto-comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, cobrou que países europeus ampliem programas de reassentamento de refugiados. Promessas para realocar cerca de 66 mil deslocados foram reduzidas e disponibilizam agora apenas 8 mil vagas. Aproximadamente 50 mil deslocados, entre eles, cerca de 1,5 mil crianças desacompanhadas, permanecem no território grego.

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Países da União Europeia precisam ampliar seus programas de reassentamento de refugiados para desafogar a Grécia, principal porta de entrada de indivíduos deslocados para o continente europeu. Apenas no último ano, mais de 856 mil refugiados e migrantes passaram pelo país.

O alerta veio do alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi, que visitou a nação na semana passada (24). Embora o fluxo de pessoas chegando ao território grego tenha diminuído significativamente em 2016, cerca de 50 mil indivíduos permanecem no país.

Os desafios são muito graves
e precisamos continuar
enfrentando-os juntos.

Em novas negociações, Estados europeus comprometeram-se a realocar pouco mais de 8 mil deslocados — número que descumpre promessas feitas anteriormente e que previam o reassentamento de de 66,4 mil estrangeiros.

Até agora, 3.054 refugiados foram transferidos da Grécia para outros países da UE, enquanto outros 3.606 aguardam para partir nos próximos meses. Segundo o chefe da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), o apoio é insuficiente.

“Eu vou continuar defendendo que implementação destes programas seja mais ampla e rápida”, disse Grandi. “Os desafios são muito graves e precisamos continuar enfrentando-os juntos.”

Superlotação dos centros de acolhimento e condições de vida precárias são as principais preocupações do ACNUR, que já providenciou — em parceria com seis organizações não governamentais e as prefeituras de Atenas e Salônica — acomodações em apartamentos de prédios e hotéis para mais de 10,3 mil candidatos a reassentamento e requerentes de asilo.

Em um mundo e contexto
que se tonaram tão hostis e fechados
para os refugiados, a Grécia tem sido exemplar.

Nesses locais, os refugiados e migrantes recebem alimentos, atendimento médico e apoio psicossocial em um programa instituído pela Comissão Europeia.

“Quero agradecer à população da Grécia, mas também às instituições gregas: o governo grego, à guarda costeira helênica, à polícia, às prefeituras, aos voluntários das organizações que têm continuamente ajudado as pessoas que desembarcam na costa grega como refugiados e, muitas vezes, migrantes em situação de vulnerabilidade”, elogiou Grandi.

“Em um mundo e contexto que se tonaram tão hostis e fechados para os refugiados, a Grécia tem sido exemplar”, conclu

Crianças e jovens por trás dos números

Segundo o ACNUR, quase 1,5 mil crianças que estão desacompanhadas e fogem de contextos de guerra e violência estão em uma lista de espera por abrigos seguros na Grécia. Até o momento, a agência das Nações Unidas já providenciou 345 espaços provisórios para menores sem responsáveis.. Outros 245 locais estão sendo planejados.

Durante sua passagem pelo país, após se encontrar com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, e o presidente, Prokopis Pavlopoulo, Grandi visitou um abrigo onde conheceu o afegão Waris*, de apenas 14 anos.

O rapaz fugiu de seu país de origem para a Europa há quatro meses com sua mãe, pai e três irmãos mais novos. Ele se separou da família durante um tiroteio na fronteira entre o Irã e a Turquia. Pressionado por um contrabandista, teve de continuar sua jornada sozinho até a Grécia.

“Foi horrível. É muito difícil não saber se a minha família está viva”, contou o adolescente. Desde que chegou ao continente europeu. Waris não conseguiu reencontrar seus familiares, mas com ajuda de uma advogada, entrou em contato com um tio que mora no Reino Unido. A expectativa é de que o jovem consiga ir morar com o parente.

*Nome fictício