Chefe de operações de paz diz que ONU precisará de contribuições do Brasil

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Em visita oficial ao Brasil, o subsecretário-geral da ONU para as operações de paz, Jean-Pierre Lacroix, afirmou estar convencido de que as Nações Unidas precisarão de contribuições do Brasil em missões do organismo internacional. Dirigente participou no Rio de Janeiro de seminário da ONU e do governo sobre os 13 anos da participação brasileira na MINUSTAH, a Missão de Estabilização no Haiti.

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Em visita oficial ao Brasil, o subsecretário-geral da ONU para as operações de paz, Jean-Pierre Lacroix, afirmou estar convencido de que as Nações Unidas precisarão de contribuições do Brasil em missões do organismo internacional. Dirigente participou no Rio de Janeiro da abertura de um seminário da ONU e do governo sobre os 13 anos da participação brasileira na MINUSTAH, a Missão de Estabilização no Haiti.

Desde 2004, as forças armadas brasileiras apoiaram a manutenção da paz e o desenvolvimento do país caribenho. Durante o período, mais de 37,5 mil militares brasileiros atuaram no Haiti. Realizado em 28 e 29 de novembro, o evento 13 anos do Brasil na MINUSTAH: Lições aprendidas e novas perspectivas reuniu cerca de 700 participantes e 21 palestrantes, entre militares e civis, para abordar as experiências e o legado da missão.

A possível participação do Brasil em intervenções das Nações Unidas em outros países também foi discutida por especialistas.

Em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio), Jean-Pierre Lacroix elogiou o envolvimento do Estado brasileiro com a MINUSTAH.

“O Brasil é um parceiro importante e tem experiência muito valiosa para nós. Ele teve um papel essencial no Haiti, no Líbano, em outras ações do passado. Estou convencido de que vamos precisar da contribuição do Brasil, não penas do apoio político, mas operacional”, afirmou.

O subsecretário-geral da ONU ressaltou os avanços políticos e sociais alcançados pela MINUSTAH.

“Em 13 anos, a MINUSTAH fez muita diferença. Hoje, os níveis de violência são muito baixos e as instituições (legítimas) estão funcionando. Há uma assembleia eleita democraticamente, o que permite mudar a forma de apoio internacional para reorientar a ação da ONU, em particular nas áreas da Justiça. Agora, a missão em vigência (MINUJUSTH – Missão das Nações Unidas de Apoio à Justiça no Haiti), vai auxilar no funcionamento das instituições”, detalhou.

Lacroix explicou ainda que a meta das missões de paz é favorecer e apoiar a reconstrução do Estado e a responsabilidade de autoridades locais, como foi feito no país caribenho.

Estou convencido de que vamos
precisar da contribuição do Brasil,
não penas do apoio político,
mas operacional.

Convidado para palestrar durante o segundo dia do seminário, no painel sobre a logística do Brasil na MINUSTAH, o diretor do UNIC Rio, Maurizio Giuliano, ressaltou que o encontro e a visita de Lacroix foi um tributo ao trabalho excelente da liderança brasileira na missão.

“Os soldados brasileiros são uma razão das condições de vida melhores que os haitianos vivem hoje quando comparamos com o cenário de 13 anos atrás, apesar dos problemas políticos e desastres associados aos riscos naturais dos quais foram vítimas. Os brasileiros se destacaram pelo trabalho de prevenção de emboscadas, proteção da força, mas também pela relação cordial com a população local”, afirmou Giuliano.

A Marinha enviou, ao longo da missão, um total de 6.135 militares, divididos por 26 contingentes. O capitão de Mar e Guerra e fuzileiro naval Stewart da Paixão Gomes esteve no Haiti em 2004 e 2017. Ele lembra que, no início, o país sofria com a falta de segurança e instabilidade e que, por isso, em 2004, foi implementada a MINUSTAH.

Durante esses anos, o militar complementa que a Marinha atuou não apenas com seu contingente, mas na logística e transporte de equipamentos em seus navios. Após o encerramento da missão em outubro de 2017, a análise que ele faz é de uma polícia nacional mais preparada e serviços públicos em funcionamento.

“No início, foi necessário o uso da força. Depois, vieram as tragédias, furacões, enchentes, terremoto. Em 2010, com o terremoto, a força mudou completamente a sua abordagem para a assistência humanitária. Quando eu retornei, presenciei um desenvolvimento mais acentuado nas questões jurídicas, com processos eleitorais em desenvolvimento e presidentes assumindo seu mandato’, lembrou o oficial, um dos integrantes do penúltimo contingente da missão, que deixou o país em junho deste ano.

Durante o seminário sediado na Escola de Operações de Paz de Caráter Naval, houve simulações de diversas ações em mar e terra das forças brasileiras. Em terra, houve demonstrações de controle de distúrbio e emergência médica. No mar, a ação que envolveu 25 militares tratou de uma inspeção a uma embarcação civil com suspeita de contrabando. Na ocasião, foram usados duas lanchas e um helicóptero.

Convidado para compartilhar experiências durante o evento, o primeiro force commander no Haiti, general Augusto Heleno, falou sobre o seu aprendizado no país caribenho. Antes de chegar, ele afirma que a grande preocupação era lidar com os ex-militares e rebeldes. Depois, em campo, ele viu que os desafios maiores eram lidar e combater grupos que controlavam áreas mais precárias da cidade. Diante do êxito das tropas brasileiras no Haiti, o general acredita que o Brasil receberá convites para participar de novas missões.

“Os rebeldes, (nós) conseguimos contornar, mas as gangues dentro das favelas davam mais trabalho. Aos poucos, experimentamos uma atuação mais robusta porque, sem isso, você desacredita a tropa e a missão de paz. Quando o país estava começando a se reestruturar, o terremoto destruiu o que tinha sido erguido. Na verdade, o terremoto foi muito mais do que uma tragédia física, foi uma destruição de ideais’, lembrou Heleno sobre a catástrofe que matou mais de 220 mil haitianos.

Previsto para 2010, o plano de redução do efetivo militar foi suspenso com o terremoto de 12 de janeiro do mesmo ano. Após a tragédia, a missão ampliou seu efetivo e expandiu o mandato para apoiar o governo, agências do Sistema ONU e outros parceiros, a fim de suprir as necessidades humanitárias, de segurança e de reestruturação do país. Veja o especial do UNIC Rio que marcou os cinco anos após o terremoto.

Para Lacroix, os 13 anos de presença brasileira no Haiti mostraram a capacidade do Brasil em assumir e liderar missões de paz. Não apenas em relação à estratégia, mas à habilidade de criar uma relação de confiança com o governo e a população.


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