Chefe de missões de paz da ONU visita Sudão e pede cessar-fogo imediato em Darfur

Hervé Ladsous apela para que governo e movimentos não signatários de acordo parem hostilidades e entrem em negociação. Conflito forçou o deslocamento de mais de 300 mil pessoas só este ano.

Subsecretário-geral da ONU para missões de paz, Hervé Ladsous visita soldado ferido. Foto: ONU/Albert González Farran

Subsecretário-geral da ONU para missões de paz, Hervé Ladsous visita soldado ferido. Foto: ONU/Albert González Farran

Em visita ao Sudão, o subsecretário-geral da ONU para operações de manutenção da paz, Hervé Ladsous, pediu a todas as partes envolvidas que tentem neutralizar o conflito em Darfur. A intensificação dos confrontos tem afetado famílias que vivem na região e também os “capacetes azuis” enviados para proteger civis e apoiar os esforços na busca pela paz.

“Temos assistido à deterioração na situação de segurança. Mais de 300 mil pessoas foram deslocadas desde o início deste ano, principalmente por causa de confrontos tribais”, disse Ladsous nesta quinta-feira (4) em Cartum.

O subsecretário-geral reiterou o apoio da ONU ao Documento de Doha para a Paz em Darfur, negociado com o apoio do Governo do Qatar, que constitui a base para um cessar-fogo permanente e um amplo acordo de paz. Ladsouse pediu ao Governo e aos movimentos não signatários que parem com as hostilidades e “entrem em negociação imediatamente”.

Ladsous condenou o ataque contra a ONU em Labado, Darfur, onde três “capacetes azuis” ficaram feridos no dia 3 de julho, quando um grupo armado não identificado emboscou um comboio da Missão Conjunta da União Africana e das Nações Unidas para Darfur (UNAMID).

“Ataques contra as forças de paz são um crime”, ressaltou Ladsous, pedindo que os responsáveis sejam devidamente punidos. O subsecretário-geral visitou os soldados feridos em um hospital da missão em Nyala, Darfur do Sul.

Durante os três dias no país, Ladsous se reuniu com membros do governo local em El Daein, líderes da sociedade civil e deslocados que vivem no campo de Neem. Ladsous também expressou preocupação com a situação de segurança e humanitária nos estados de Kordofan do Sul e Nilo Azul.