Chefe de direitos humanos da ONU pede recursos para enfrentar crises do ebola e do Estado Islâmico

O ACNUDH não está sendo capaz de corresponder às solicitações de circunstâncias críticas globais, principalmente por conta das crescentes demandas provenientes das “pragas gêmeas”.

Alto Comissário para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Zeid Al Hussein, fala com jornalistas em coletiva de imprensa em Genebra. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré.

Alto Comissário para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Zeid Al Hussein, fala com jornalistas em coletiva de imprensa em Genebra. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré.

O chefe do Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos (ACNUDH) alertou, nesta quinta-feira (16), que sua agência está enfrentando graves desafios orçamentários frente às diversas crises que atingem o mundo atualmente – principalmente no que diz respeito ao combate das “pragas gêmeas” do ebola e do Estado Islâmico (EI).

Segundo o alto comissário para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, ambas as crises cresceram silenciosamente e foram negligenciadas pelo mundo, que sabia que elas existiam mas não compreendeu seu terrível potencial.

Zeid alertou ainda  que as operações do ACNUDH já foram estendidas ao seu limite e que, com a expansão do EI e do ebola, é “deplorável” que o escritório da ONU responsável pelos direitos humanos não possa corresponder a dúzias de solicitações pendentes.

O Escritório recebe apenas 3% do orçamento regular da ONU e a quantia solicitada para suprir essas demandas – de 25 milhões de dólares – é inferior ao que os americanos gastarão em fantasias para seus animais de estimação neste Halloween, comparou o chefe de direitos humanos.

“Nós já estamos economizando tudo que podemos, e os serviços estão começando a ser prejudicados. Os governos vêm até nós pedindo programas de assistência técnica, mas está se tornando cada vez mais provável que nós os rejeitemos”, disse o alto comissário, ressaltando que a própria subestimação da importância dos direitos humanos tem forte papel na origem das crises.

O chefe do ADNUDH afirmou também que apenas uma reação baseada nos direitos à saúde, à educação, ao saneamento e à boa gestão governamental pode ser bem-sucedida em combater a epidemia do ebola.

Sobre a urgência da crise decorrente dos conflitos no Iraque e na Síria, Zeid reiterou que o EI – que chamou de “a antítese dos direitos humanos” – está atingindo toda a população, incluindo mulheres, crianças, idosos, doentes e feridos.