Chefe de direitos humanos da ONU condena prisões arbitrárias contra jornalistas na Etiópia

Na última semana, três jornalistas e seis blogueiros foram presos no país, que passa por uma onda de repressão à liberdade de imprensa. Profissionais de mídia podem pegar até prisão perpétua.

Em meio a crescentes restrições à liberdade de expressão e opinião na Etiópia, a alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, Navi Pillay, condenou nesta sexta-feira (2) a prisão de nove profissionais de mídia na capital Adis Abeba – seis membros do blog coletivo Zona Nove e três jornalistas.

“Estou bastante preocupada com a recente onda de prisões e o clima cada vez maior de intimidação aos jornalistas e blogueiros etíopes”, declarou. Embora os motivos da prisão ainda sejam obscuros, a ONU recebeu informações de que eles teriam sido detidos por “incitarem violência através de mídias sociais para criar instabilidade no país”.

Segundo testemunhas, os profissionais estão mantidos longe de qualquer comunicação. Desde janeiro de 2012, jornalistas no país têm sido presos sob a “Proclamação Antiterrorista”, cujas sentenças variam de cinco anos a prisão perpétua. Entre julho de 2012 e janeiro de 2013, dois jornalistas foram presos e continuam aguardando julgamento em regime fechado.

“Nos últimos anos, o espaço para vozes contrárias vem diminuindo dramaticamente na Etiópia”, denunciou Pillay. “A luta contra o terrorismo não pode servir como desculpa para intimidar e silenciar jornalistas, blogueiros, ativistas dos direitos humanos ou membros de organizações da sociedade civil.”