Chefe de direitos humanos da ONU chama líderes da extrema direita de ‘demagogos’ e ‘trapaceiros’

O chefe de direitos humanos da ONU, Zeid Ra’ad Al Hussein, chamou líderes políticos de extrema-direita da Europa e dos Estados Unidos como Geert Wilders (Holanda) e Donald Trump (EUA) de “demagogos” e “trapaceiros” que tentam incitar o ódio contra minorias étnicas e religiosas em seus países. Para Zeid, não são eles, mas os defensores dos direitos humanos, que escreverão a história do século 21.

Alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

O alto comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, chamou líderes políticos de extrema-direita da Europa e dos Estados Unidos como Geert Wilders (Holanda) e Donald Trump (EUA) de “demagogos” e “trapaceiros” que tentam incitar o ódio contra minorias étnicas e religiosas em seus países. Para Zeid, não são eles, mas os defensores dos direitos humanos, que irão escrever a história do século 21.

“A história talvez tenha ensinado (Geert) Wilders e sua laia sobre como a xenofobia e a intolerância podem ser utilizadas como armas. Comunidades vão se isolar em campos de medo, hostilidade, com populistas como eles, e extremistas, como comandantes. A atmosfera vai se tornar pesada com o ódio, e nesse ponto você pode cair rapidamente na violência colossal”, disse Zeid em Haia, na Holanda.

“Precisamos sair dessa trajetória. (…) Vamos continuar parados, olhando essa banalização da intolerância, até que ela atinja sua conclusão lógica?”, questionou. “Não, meus amigos, não sejam conduzidos pelos trapaceiros”, disse Zeid, completando que “nós não seremos intimidados pelo agressor, nem enganados pelo enganador”.

“Porque nós, não você, vamos orientar nosso destino coletivo. Nós, não vocês, vamos escrever este próximo século.”

Um dos favoritos para vencer as eleições na Holanda no ano que vem, Wilders, assim como o candidato à presidência dos Estados Unidos Donald Trump, é conhecido por propagar ideias xenofóbicas.

Zeid disse que tanto Wilders como Trump e a francesa Marine Le Pen têm táticas comuns ao grupo terrorista Estado Islâmico. “Eu certamente não estou igualando as ações de demagogos nacionalistas com aquelas do Estado Islâmico que são monstruosas e doentias”, disse. “O Estado Islâmico precisa ser julgado. Mas o modo de comunicação, que usa meias-verdades e simplificações, a propaganda e a tática que o Estado Islâmico usa são semelhantes às dos populistas”, completou.

“Pinte metade de um quadro na cabeça de um indivíduo ansioso, exposto à crise econômica, por meio da mídia e em meio aos horrores do terrorismo. Coloque algumas meias-verdades aqui e ali e permita que o preconceito natural das pessoas faça o resto”, declarou Zeid. “Adicione drama, enfatize que a culpa é de um grupo específico, para que os porta-vozes dessa artilharia verbal, e seus seguidores, possam ter desencargo de consciência”.

“A fórmula é simples: faça para que as pessoas, que já estão nervosas, se sintam péssimas, e aí enfatize que isso é tudo culpa de um grupo estrangeiro ameaçador. (…) Inflame as pessoas, repita várias vezes até que a ansiedade piore e se transforme em ódio”, completou Zeid.

ACNUDH já fez alerta sobre Brasil

Em abril, o escritório regional para América do Sul do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) já havia manifestado repúdio à “retórica de desrespeito contra os direitos humanos” no Brasil durante votação de admissibilidade do processo de impeachment presidencial na Câmara dos Deputados.

Em particular, o escritório do ACNUDH, chefiado por Zeid, condenou as manifestações do deputado federal Jair Bolsonaro em referência a Carlos Alberto Brilhante Ustra, reconhecido pela Justiça brasileira e pela Comissão Nacional da Verdade como torturador durante a última ditadura militar no país.

“Repudiamos qualquer tipo de apologia às violações de direitos humanos como a tortura, que é absolutamente proibida pela Constituição brasileira e pelo direito internacional”, disse o representante do ACNUDH para América do Sul, Amerigo Incalcaterra. “Esse tipo de comentário é inaceitável, especialmente vindo de representantes das instituições brasileiras e eleitos por voto popular.”

O representante reiterou seu apelo ao Congresso Nacional, às autoridades políticas, judiciárias e a toda a sociedade brasileira a condenar qualquer forma de discurso de ódio, e a defender em toda circunstância os valores da democracia e da dignidade humana.


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