Chefe de agência da ONU visita refugiados da República Centro-Africana

Alto Comissário da ONU António Guterres visitou refugiados em região de difícil acesso no norte da República Democrática do Congo (RDC).

Refugiados da República Centro-Africana chegando à provincial de Equateur, na República Democrática do Congo, no início deste mês, depois de cruzar o rio Oubangui. Foto: ACNUR/ G.Casteele

Refugiados da República Centro-Africana chegando à provincial de Equateur, na República Democrática do Congo, no início deste mês, depois de cruzar o rio Oubangui. Foto: ACNUR/ G.Casteele

Nesta sexta-feira (12), o Alto Comissário das Nações Unidas para Refugiados, António Guterres, visitou refugiados da República Centro-Africana (RCA) numa região remota e de difícil acesso no norte da República Democrática do Congo (RDC).

Em meio a relatos de contínua insegurança e disputas em Bangui, capital da RCA, as pessoas têm cruzado o rio Oubangui em busca de refúgio nas províncias congolesas de Equateur e Orientale.

“Registramos mais de 29.500 refugiados, incluindo quase 24 mil somente em Equateur”, disse uma porta-voz do ACNUR, afirmando também que os refugiados estão ao longo dos 600 quilômetros de extensão do rio.

Guterres visitou as cidades de Zongo e Libenge, em Equateur. Em Zongo, ele encontrará alguns dos 1.800 refugiados e suas famílias. A maioria chegou quando os rebeldes capturaram Bangui – do outro lado do rio – no último 23 de março.

De Zongo, ele viajará 20 quilômetros até Worobe, um campo que abriga mais de 2.270 refugiados centro-africanos. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) e seus parceiros estão provendo assistência e proteção neste campo. Um novo campo para, inicialmente, 10 mil refugiados está sendo implantado em Inke, no distrito de North Oubangui, em Equateur.

Área remota dificulta ajuda

As necessidades dos refugiados são significativas, mas o acesso à área é bem difícil. O ACNUR está trabalhando com as autoridades da RDC e de outros dois países que abrigam estes refugiados, Camarões e Chade, para garantir sua proteção e assistência. A agência tem registrado os refugiados, distribuído ajuda humanitária, criado abrigos de emergência e trabalhado com organizações parceiras para apoiar ações de saúde e educação.

“Em Libenge, o Alto Comissário Guterres visitará projetos de reintegração de refugiados retornados. Ele verá de perto a reintegração de quase 65 mil congoleses que em maio de 2012 retornaram voluntariamente da República do Congo com a ajuda do ACNUR”, disse a porta-voz. A operação ribeirinha continua e já ajudou quase 18 mil pessoas somente este ano.

Os retornados em Libenge estão entre os mais de 140 mil civis que buscaram refúgio nos países vizinhos a RDC em virtude dos conflitos étnicos iniciados por questões de terra e pesca em 2009, no Equateur.

Neste sábado (13) em Kinshasa, Guterres encontrará oficiais do governo, incluindo o presidente Joseph Kabila e o primeiro-ministro Augustin Matata Ponyo, para tratar da situação dos refugiados centro-africanos e do outro importante trabalho do ACNUR no país.

O ACNUR lidera uma grande operação na RDC, ajudando mais de 2,5 milhões de pessoas deslocadas internamente, a maioria no leste e no norte, assim como dezenas de milhares de refugiados de outros países africanos. A agência também ajudou a repatriar refugiados da República do Congo, Angola, Ruanda e Burundi.

“Também ajudamos milhares de congoleses refugiados em Uganda, Ruanda e Burundi. Muitos deles deixaram a RDC por causa da violência mais recente no leste, iniciada no ano passado”, disse a porta-voz do ACNUR. “Estamos extremamente preocupados com a estabilidade regional diante da violência incessante na RDC, novas crises e deslocamentos na República Centro-Africana e na região de Darfur, no Sudão.”