Chefe de agência da ONU alerta para intensificação da crise humanitária em Gaza

Problemas “alarmantes e crescentes” que afetam refugiados palestinos podem desestabilizar ainda mais o Oriente Médio, afirmou na terça-feira (29) o chefe da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).

“Fornecemos assistência alimentar para 1 milhão de pessoas em Gaza, o que representa metade da população do enclave. A UNRWA fornece esta assistência alimentar a cada três meses”, explicou Pierre Krähenbühl.

“Este é um número com o qual o mundo deveria ficar chocado, porque nos anos 2000 fornecíamos assistência alimentar para 80 mil. Então, nós passamos de 80 mil pessoas em nossa lista de assistência alimentar para 1 milhão. Por quê? Por conta da dinâmica do conflito e do bloqueio que dizimou setores inteiros da economia de Gaza”.

Mulheres em frente à casa em que moram no centro de Gaza. Palestinos do enclave enfrentam dificuldades para atender as necessidades básicas de seus filhos, como alimentação, saúde e habitação. Foto: PMA/Wissam Nassar

Mulheres em frente à casa em que moram no centro de Gaza. Palestinos do enclave enfrentam dificuldades para atender as necessidades básicas de seus filhos, como alimentação, saúde e habitação. Foto: PMA/Wissam Nassar

Problemas “alarmantes e crescentes” que afetam refugiados palestinos podem desestabilizar ainda mais o Oriente Médio, afirmou na terça-feira (29) o chefe da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA).

Em pedido de 1,2 bilhão de dólares para financiar serviços vitais e de assistência para 5,4 milhões de refugiados palestinos em Gaza e na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, Jordânia, Líbano e Síria, o comissário-geral da UNRWA, Pierre Krähenbühl explicou que o atendimento às necessidades básicas dessa população piorou consideravelmente desde a virada do século.

“Fornecemos assistência alimentar para 1 milhão de pessoas em Gaza, o que representa metade da população do enclave. A UNRWA fornece esta assistência alimentar a cada três meses”, explicou.

“Este é um número com o qual o mundo deveria ficar chocado, porque nos anos 2000 fornecíamos assistência alimentar para 80 mil. Então, nós passamos de 80 mil pessoas em nossa lista de assistência alimentar para 1 milhão. Por quê? Por conta da dinâmica do conflito e do bloqueio que dizimou setores inteiros da economia de Gaza”.

Falando em Genebra, Krähenbühl elogiou a generosidade de Estados-membros em apoiar ao trabalho da agência, após os Estados Unidos, historicamente maior doador durante décadas, deixarem de financiá-la.

ONU manifesta preocupação com ataque na Cisjordânia

Paralelamente, o Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) expressou na terça-feira (29) profunda preocupação com o “ataque prolongado e extremamente violento” no sábado (26) no vilarejo de Al Mughayyir, na Cisjordânia. O palestino Hamdi Taleb Na’asan, de 38 anos e pai de quatro filhos, foi morto com tiros nas costas.

“O monitoramento feito por nossa equipe na Cisjordânia sugere que o assassinato ocorreu após um grupo de até 30 israelenses – alguns deles armados – do posto israelense de Adei Ad atacarem agricultores palestinos em seus campos”, disse o porta-voz Rupert Colville, falando a jornalistas em Genebra. Ele disse que colonos “desceram à vila, onde usaram munição letal para atirar contra aldeões e suas casas”.

Ele acrescentou que seis aldeões foram baleados “com munição letal, deixando três deles em condições sérias”. “É incerto se colonos também ficaram feridos e, se sim, quantos deles”.

Ele afirmou que, embora forças da segurança de Israel estivessem perto do vilarejo e “tenham sido imediatamente alertadas sobre o ataque, testemunhas informaram nossa equipe – que visitou o vilarejo ontem – que demorou cerca de duas horas antes que interviessem”.

Quando intervieram, acrescentou Colville, “o foco da ação pareceu ser dispersar os aldeões palestinos usando gás lacrimogêneo”. “Mais três palestinos foram feridos por tiros após a intervenção das forças da segurança”, salientou.

Ele disse que houve um aumento em violência instigada por colonos na Cisjordânia, “que alcançou seus níveis mais altos desde 2015”.

De acordo com o Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), a média mensal de incidentes violentos instigados por colonos cresceu 57% em 2018, comparado a 2017, e 175%, comparado a 2016.

As forças da segurança de Israel abriram investigação inicial sobre o assassinato de Na’asan.

“Pedimos às autoridades que garantam investigação completa sobre seu assassinato e sobre os ferimentos causados a outros, e que esta seja independente, transparente e eficaz”, acrescentou Colville.