Chefe das Operações de Paz da ONU quer reforço para missão na República Democrática do Congo

Força de paz adicional pode garantir a normalidade no leste do país, ainda instável por conta dos conflitos entre o grupo armado M23 e as tropas do governo.

Membros do M23 retiram-se de Goma.

O Subsecretário-Geral para as Operações de Manutenção da Paz da ONU, Hervé Ladsous, apresentou na sexta-feira (7) novas propostas para o combate à recente onda de violência na República Democrática do Congo (RDC). Ladsous propôs uma nova força de paz na região, em adição aos grupos pacificadores da ONU já presentes.

A ideia de uma nova força foi concebida originalmente pela Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos (ICGLR), que espera que a força adicional ajude no retorno à normalidade na região. A violência eclodiu principalmente depois que, no dia 19 de novembro, o grupo armado M23 ocupou Goma, capital da província de Kivu do Norte, no leste da RDC. Após 11 dias no controle da capital da província, o grupo armado, formado por soldados que se amotinaram do exército nacional em abril, retirou-se da cidade, em conformidade com os requisitos estabelecidos em um comunicado da ICGLR.

As propostas de Ladsous incluem também “forças adicionais facilitadoras”, que irão aumentar os equipamentos para a Missão de Estabilização da ONU na RDC (MONUSCO), aumentando a eficiência da missão, além de uma versão expandida do Mecanismo de Verificação Conjunta da ICGLR. O mecanismo monitora a fronteira entre a RDC e Ruanda, país que, conforme relatos da mídia, apoia o conflito no leste da RDC.

De acordo com o Sub-Secretário, a ONU desenvolve planos de contingência caso a M23 retorne a Goma, acrescentando que alguns elementos do grupo permaneceram na cidade. Ladsous ressaltou que as Nações Unidas estão investigando uma série de denúncias de abusos de direitos humanos supostamente cometidos por membros M23 e outros grupos armados, e também por integrantes das Forças Armadas da RDC na cidade de Minova, perto de Goma. Em Minova, os centros de saúde registram cerca de 70 estupros.

O Coordenador Humanitário das Nações Unidas na RDC, Moustapha Soumaré, disse que a proteção aos civis permanece como a maior preocupação em Goma. Soumaré visitou a cidade no sábado (8) para coletar informações sobre a situação humanitária após recentes conflitos entre o M23 e as forças nacionais. Os confrontos deslocaram mais de 130 mil pessoas no entorno de Goma, e outros 47 mil para a província vizinha do Kivu do Sul.

A calmaria no combate ajudou para o avanço dos trabalhos humanitários: foram distribuídos medicamentos e leite terapêutico para 30 mil pessoas, além de serem oferecidos alimentos, água potável e serviços básicos.