Chefe das Nações Unidas elogia acordo entre militares e oposição no Sudão

Manifestantes reúnem-se na frente da sede do exército sudanês na capital do país, Cartum. Foto: Masarib/Ahmed Bahhar

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse na sexta-feira (5) estar “encorajado” por relatos de um novo acordo de partilha de poder entre as Forças da Liberdade e da Mudança — uma coligação de oposição e grupos de protesto — e o conselho militar do Sudão.

Os dois lados concordaram em dividir o poder por três anos e depois realizar eleições para o retorno ao governo civil. Guterres elogiou a decisão de se estabelecer órgãos de governo transitórios, e felicitou a União Africana, a Etiópia e a Autoridade Intergovernamental Regional para o Desenvolvimento (IGAD) por seu papel nas negociações.

As informações sobre o acordo teriam levado milhares de pessoas às ruas para celebrar, aumentando as esperanças de que uma transição pacífica de poder possa ocorrer, após meses de turbulência desde o início da revolta civil de dezembro.

Segundo declaração emitida por seu porta-voz, o secretário-geral da ONU está encorajando todas as partes interessadas a “garantir a implementação oportuna, inclusiva e transparente do acordo e resolver quaisquer questões pendentes por meio do diálogo”.

A declaração também observou que Guterres saúda o compromisso das partes em conduzir uma investigação independente sobre a violência perpetrada contra manifestantes pacíficos, incluindo os eventos em 3 de junho, quando forças de segurança e milícias dispararam contra manifestantes pró-democracia na capital Cartum, deixando dezenas de mortos e muitos feridos.

O chefe da ONU expressou sua solidariedade ao povo do Sudão, e reiterou o compromisso das Nações Unidas de ajudar no processo de transição.

Após uma série de greves e protestos no início do ano, o ditador Omar al-Bashir foi derrubado por seus principais generais em abril. As esperanças eram de que os militares e a oposição pudessem chegar a um acordo, mas desde a violência liderada pelos militares em 3 de abril, as negociações estavam em um impasse até a última rodada de negociações começarem em Cartum no início da semana passada.

No fim de junho (30), houve manifestações em todo o país exigindo a transferência de poder para as mãos de civis, nas quais ao menos sete pessoas teriam sido mortas e outras 180 ficaram feridas.

Na semana passada (3), a chefe de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, pediu que as autoridades sudanesas retirassem as restrições ao acesso à Internet e lançassem investigações independentes sobre todos os atos de violência contra manifestantes e acusações de uso excessivo da força, incluindo ataques contra hospitais.

Bachelet disse que seu escritório tinha recebido uma série de acusações sobre uso excessivo da força por parte de forças de segurança contra manifestantes.