Chefe da ONU rebate críticas e reitera que ‘status do Saara Ocidental ainda está para ser decidido’

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Conflito territorial no Saara Ocidental envolvendo o Marrocos vai completar 40 anos em 2016. Segundo o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, refugiados do impasse vivem ‘tragédia humanitária esquecida’.

Refugiados sahrawi buscaram refúgio na Argélia. Conflito atravessa gerações. Foto: Flickr (CC) / Western Sahara

Refugiados sahrawi buscaram refúgio na Argélia. Conflito atravessa gerações. Foto: Flickr (CC) / Western Sahara

Nesta quarta-feira (9), o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, respondeu a críticas e questionamentos da imprensa e do Ministério das Relações Exteriores do Marrocos, a respeito de seus recentes pronunciamentos sobre o Saara Ocidental.

O chefe da ONU reiterou que “o status do território do Saara Ocidental ainda está para ser decidido, uma vez que se trata de um território sem governo próprio”.

“Todos os Estados-membros, incluindo o Marrocos, concordam com isso em resoluções anuais da Assembleia Geral, adotadas sem votação”, disse.

Durante sua recente passagem pela Argélia, no início de março, o secretário-geral foi a Tindouf, onde visitou um campo de refugiados do conflito regional que envolve a Frente Polisário, movimento do Saara Ocidental que reivindica a autonamia da região, e o governo do Marrocos.

Ao longo de sua viagem à região, Ban Ki-moon não foi ao Marrocos, mas se pronunciou sobre o imbróglio que vai completar quatro décadas em 2016, afirmando que “nenhum progresso real foi feito” nas negociações para acabar com o litígio.

Após receber críticas sobre seu posicionamento e ser questionado quanto a sua neutralidade e imparcialidade diante do conflito, o dirigente máximo das Nações Unidas emitiu uma nota de esclarecimento nesta quarta-feira (9), em que lembrou as deliberações do Conselho de Segurança da ONU.

O organismo apelou à ONU para que facilite os diálogos entre as partes, “visando a uma solução mutuamente aceitável, que possibilitará a autodeterminação do povo do Saara Ocidental”. Desde 2004, o Conselho exige a realização de um referendo pelo qual poderá ser avaliada a vontade do povo do Saara Ocidental quanto ao futuro do território. Uma Missão da ONU monitora a atual situação da região.

Ban Ki-moon esclareceu que o uso do termo “ocupação”, em um dos seus pronunciamentos, foi uma referência “à incapacidade dos refugiados sahrawi de retornar para casa sob condições que incluam arranjos satisfatórios de governança, segundo os quais todos os sahrawi possam expressar livremente seus desejos”.

No sábado (5), o secretário-geral havia descrito o sofrimento dos refugiados do povo sahrawi, um dos mais afetados pelo impasse, como uma das “tragédias humanitárias esquecidas do nosso tempo”.

O chefe da ONU reiterou seu pedido para que todas as partes do conflito se engajem seriamente em negociações que poderão trazer esperança aos sahrawi e permitir-lhes voltar para casa.

“Claramente, a questão em jogo é o status final do território (do Saara Ocidental)”, disse.


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