Chefe da ONU pede retomada de negociações entre Israel e Palestina para solução de dois Estados

As perspectivas de uma solução de dois Estados estão ficando mais frágeis, com consequências potencialmente explosivas para toda a região, alertou Ban Ki-moon durante reunião no Conselho de Segurança.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em seu discurso ao Conselho de Segurança da ONU. Foto: ONU/Loey Felipe

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em seu discurso ao Conselho de Segurança da ONU. Foto: ONU/Loey Felipe

As perspectivas de uma solução de dois Estados no Oriente Médio estão ficando mais frágeis, com consequências potencialmente explosivas para toda a região, alertou nesta terça-feira (21) o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, durante reunião no Conselho de Segurança. Ele apelou à comunidade internacional para impulsionar os esforços de trazer as delegações tanto de Israel quanto da Palestina de volta à mesa de negociações.

“Ao longo dos anos, temos visto determinados esforços para alcançar uma paz abrangente, negociado com base em uma solução de dois Estados”, disse o secretário-geral durante o encontro no Conselho que discutiu a situação no Oriente Médio, em reunião presidida pelo ministro das Relações Exteriores da Jordânia, Nasser Judeh, que detém a presidência do órgão da ONU este mês.

“Em vez de paz, no entanto, houve décadas de oportunidades perdidas e falhas que vieram a um custo enorme.”

A reunião do Conselho acontece pouco após a eleição mais recente de Israel e a formação iminente de um novo governo, mas também em meio a tensões entre o governo israelense e a Autoridade Palestina.

Por mais de quatro meses, o governo de Israel reteve mais de 470 milhões de dólares em receitas fiscais palestinas, minando a estabilidade das instituições da Palestina e sua capacidade de pagar os salários do setor público e prestar serviços básicos. No último sábado (18), no entanto, a ONU confirmou que os dois lados chegaram a um acordo sobre a libertação das receitas fiscais – um movimento em linha com o Protocolo de Paris.

O secretário-geral saudou o acordo como uma inversão do que foi uma política “contraproducente” que, segundo ele, “prejudica gravemente a capacidade do governo da Palestina de levar a cabo as suas responsabilidades”.

O chefe da ONU também pediu ao novo governo de Israel que reafirme o compromisso de Israel com a solução de dois Estados e tome medidas credíveis para promover um ambiente propício para a volta de negociações significativas.

Apesar de alguns progressos, no entanto, Ban Ki-moon também expressou preocupação com a “frágil situação de segurança, a falta de progressos na reconciliação entre as facções palestinas e o ritmo da reconstrução” de Gaza.

“Gaza está enfrentando uma esmagadora crise financeira”, acrescentou. “Os funcionários do setor público continuam sem pagamento. O impacto do conflito e da pobreza extrema no palestinos em Gaza tem sido grave.”

Ele exortou os doadores internacionais a apoiar um segundo pagamento humanitário aos funcionários públicos palestinos em Gaza e chamou a atenção para o Mecanismo de Reconstrução de Gaza apoiado pela ONU – uma “ferramenta crítica” destinada a aliviar o sofrimento do povo de Gaza e reconstruir o território após um conflito de 51 dias entre Israel e militantes baseados em Gaza.

Até o momento, acrescentou, o Mecanismo havia permitido que cerca de 70% das famílias que precisam de abrigo pudessem obter os materiais necessários para reparar seus lares, apoio que seria impossível devido ao bloqueio rigoroso à região imposto pelo governo de Israel. Além disso, 60 dos 130 projetos financiados pela comunidade internacional e pelo setor privado haviam sido aprovados por Israel e seis estavam em andamento.

“Estes são progressos promissores, mas as necessidades são enormes”, alertou Ban. “Apesar da generosidade de alguns doadores, as lacunas críticas de financiamento ameaçam a estabilidade.”

As agências humanitárias, explicou, estão lutando para levantar 720 milhões de dólares necessários para abrigos temporários para 100 mil pessoas deslocadas internamente em Gaza e para a campanha de ajuda humanitária do Programa Mundial de Alimentos (PMA) que apoiará 95 mil palestinos. Estes projetos permanecem em risco de serem suspensos.

O secretário-geral descreveu uma situação de tensões latentes na Cisjordânia em meio a contínuos confrontos entre as forças de segurança israelenses e palestinos, além da destruição de estruturas de propriedade palestina. Tais realidades alimentam a frustração e a tensão em um círculo vicioso que prejudica o caminho para a paz, declarou.

“A comunidade internacional deve fazer mais para promover a retomada das negociações que encerrarão quase meio século de ocupação e permitirão que dois Estados, Israel e Palestina, vivam lado a lado em segurança e paz”, concluiu Ban Ki-moon. “Ambos os lados enfrentam escolhas difíceis. Mas uma escolha está acima de tudo: entre a paz ou a morte, destruição e sofrimento que definiram o conflito por muito tempo.”