Chefe da ONU pede que líderes atendam demandas de seus povos por dignidade e desenvolvimento

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Foto: ONU/Rick Bajornas

Afirmando que “a liderança faz a diferença”, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu nesta terça-feira (24) que chefes de Estado e de Governo reunidos em Nova York “ouçam o apelo da história” e, com muito trabalho, empenho e integridade, respondam às justas exigências do seu povo pela dignidade humana e desenvolvimento sustentável.

“Nós nos reunimos não para preservar o status quo, mas para conduzir o nosso mundo para frente”, disse Ban Ki-moon, entregando o seu relatório anual sobre o trabalho da Organização e desafiando os Estados-membros a tomar medidas ousadas e trabalhar juntos para resolver uma série de preocupações – desde a elaboração de uma agenda de sustentabilidade pós-2015, até chegar a acordo sobre um novo regime para combater a mudança do clima e trazer as partes na Síria à mesa de negociações para acabar com quase três anos de derramamento de sangue.

“Nas ruas e praças de todo o mundo, as pessoas estão pressionando os detentores do poder. Eles querem que vocês, os líderes globais, as ouçam. Eles querem saber que estamos fazendo tudo o que é preciso para garantir uma vida digna para todos”, disse o chefe da ONU, à frente do debate geral da 68ª sessão da Assembleia Geral.

Embora observando que existem oportunidades no momento atual, Ban disse que as pressões sobre o planeta e as pessoas estão crescendo. Os jovens estão sem emprego, o clima do mundo está se aquecendo e distintos conflitos permanecem sem solução. “Os eventos estão se movendo na velocidade do século 21, muitas vezes ultrapassando os esforços das instituições e sistemas construídos para outra época”, disse Ban Ki-moon.

Ban observou que por mais de uma década, o ano de 2015 parecia distante, mas que agora o prazo para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), criar uma nova agenda de desenvolvimento e concluir um acordo global sobre as mudanças climáticas está chegando.

“2015 é uma oportunidade histórica”, disse o chefe da ONU, acrescentando que, apesar dos avanços, algumas metas ainda estão longe de serem alcançadas e muitas pessoas ainda estão sendo exploradas.

Ban ressaltou que a nova agenda de desenvolvimento deve ser inspirada nos objetivos do milênio, porém deve superá-los, visando a eliminar a pobreza, promover o desenvolvimento sustentável e os direitos das mulheres.

Sobre as mudanças climáticas, o secretário-geral da ONU disse que os impactos do fenômeno ameaçam todo o desenvolvimento conquistado até agora e convidou todas as delegações presentes a participar de uma cúpula sobre o clima que acontecerá no ano que vem em Nova York.

Ele pediu que os Estados-membros trouxessem ideias para melhorar o planejamento e o desenvolvimento sustentável das cidades.

Crise no Oriente Médio

Em seu discurso na 68ª sessão da Assembleia Geral, Ban Ki-moon classificou o conflito na Síria como a “maior crise de segurança e paz do mundo” e afirmou que os combates entre governo e rebeldes estão desestabilizando todo o Oriente Médio e criando uma “geração perdida” de jovens refugiados.

“Estamos diante de um momento de acerto de contas. O governo sírio deve honrar total e rapidamente suas obrigações para aderir à Convenção de Armas Químicas”, declarou ele, acrescentando que a comunidade internacional deve levar à justiça os autores dos ataques com armas químicas e garantir a salvaguarda e destruição dos arsenais químicos sírios.

Ao mesmo tempo, Ban ressaltou que na maioria dos assassinatos e atrocidades no país foram utilizadas armas convencionais e pediu que todos os Estados parassem de distribuir armas para as partes envolvidas no conflito.

O chefe da ONU também pediu que governo e oposição acabem com os obstáculos para a chegada de ajuda humanitária, permitindo o acesso da população síria a médicos, alimentos e abrigos.

Ele destacou que ambos os lados do conflito devem participar da conferência “Genebra II” para que uma solução para a crise seja alcançada.

Além de discursar sobre a Síria, Ban saudou as novas negociações diretas entre israelenses e palestinos e pediu que as partes envolvidas mostrem lideranças concretas. Ele observou que o Quarteto Diplomático – formado por Estados Unidos, Rússia, União Europeia e ONU – se reunirá no final da semana para discutir o assunto.

Desenvolvimento da África

A África é um continente que está escrevendo novos capítulos dinâmicos, democráticos e sustentáveis, observou o chefe da ONU.

Porém, mesmo com os ganhos políticos na Somália e na República Democrática do Congo (RDC), a miséria e a instabilidade ainda assombram a região do Sahel, acrescentou Ban.

Além disso, a República Centro-Africana (RCA) voltou a sofrer com a desordem e o apelo humanitário da ONU foi “lamentavelmente insuficiente”, disse. Ban também lembrou os ataques terroristas no Quênia, Paquistão e Iraque.

Nesse contexto, ele apontou falhas nas operações da ONU para acabar com as violações dos direitos humanos em grande escala e disse que esses lapsos trouxeram “consequências desastrosas” para os países em questão. Ele também pediu maior apoio financeiro para ajudar as pessoas em necessidades.

Lembrando que 2013 é o vigésimo aniversário da Declaração de Viena sobre os direitos humanos, o secretário-geral da ONU se comprometeu a fazer mais para ajudar os Estados-membros a chegar a um consenso para prevenir violações de direitos em grande escala.

“Vocês podem ser os (líderes) que vão atingir o fim da pobreza, dar voz à vontade do povo e inaugurar uma era de desenvolvimento sustentável e paz duradoura”, disse Ban, pedindo que as delegações busquem cooperar ainda mais para construir novas formas de governo, parcerias e solucionar os problemas do mundo.

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