Chefe da ONU pede mais recursos para adaptação de países do Caribe às mudanças climáticas

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‘Durante minha visita a Dominica, Antígua e Barbuda, testemunhei um nível de devastação que eu nunca tinha visto na minha vida’, afirmou o chefe das Nações Unidas, António Guterres, ao final de novembro em conferência sobre a devastação deixada pelos furações Irma e Maria no Caribe. O secretário-geral das Nações Unidas alertou que, apenas nessas três ilhas, os danos foram estimados em 1,1 bilhão de dólares, e as perdas econômicas em 400 milhões.

Cidade de Codrington em Barbuda, durante a visita do secretário-geral da ONU, em outubro de 2017, para avaliar os danos causados pelos furacões Irma e Maria. Foto: ONU/Rick Bajornas

Cidade de Codrington em Barbuda, durante a visita do secretário-geral da ONU, em outubro de 2017, para avaliar os danos causados pelos furacões Irma e Maria. Foto: ONU/Rick Bajornas

Em conferência sobre a destruição das ilhas do Caribe pelos furacões Irma e Maria, o secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu ao final de novembro (20) que países da região tenham acesso a financiamento e apólices de seguro adequados, que contemplem os riscos trazidos pelas mudanças climáticas.

“Durante minha visita a Dominica, Antígua e Barbuda, testemunhei um nível de devastação que eu nunca tinha visto na minha vida”, afirmou o chefe das Nações Unidas. O dirigente máximo do organismo internacional alertou que, apenas nessas três ilhas, os danos foram estimados em 1,1 bilhão de dólares, e as perdas econômicas em 400 milhões.

Neste ano, a temporada de furacões no Atlântico foi particularmente intensa, com tempestades mais frequentes e mais fortes. Das 13 tempestades notificadas, oito eram furacões, incluindo o Irma e o Maria. Por toda região caribenha, houve perdas trágicas e destruição generalizada.

Na conferência, Estados-membros da ONU e entidades internacionais estabeleceram compromissos com as nações da região. Evento, co-organizado pela ONU e pela Comunidade Caribenha (CARICOM), aconteceu na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque.

“Não vamos esquecer que essas ilhas não são interligadas somente pela geografia, mas também pela economia. Então, quando um país sofre, todos os países sofrem também”, acrescentou Guterres.

O secretário-geral enfatizou ainda que os países do Caribe precisam de uma nova geração de infraestrutura, com conhecimento dos riscos, apoiando economias, comunidades e meios de subsistência resilientes. Somente assim será possível alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030, ressaltou o dirigente.

Mas o financiamento é um desafio fundamental para muitas nações caribenhas, que têm acesso limitado a fundos internacionais por causa de sua classificação como “países de renda média”. Guterres ressaltou que esses Estados também têm altos níveis de dívida, sobretudo devido ao investimento em recuperação pós-crise e em resiliência.

“Em suma: precisamos de um acordo justo para o Caribe, para que esses países construam resiliência climática e alcancem os ODS”, reiterou o secretário-geral.

Critérios de financiamento estão ‘ultrapassados’

Também presente na conferência, o presidente da Assembleia Geral da ONU, Miroslav Lajčák, criticou os atuais critérios para a concessão de empréstimos para o desenvolvimento. Parâmetros — que classificam os países caribenhos como de renda mediana e impedem a liberação de recursos financeiros — foram descritos como “políticas econômicas ultrapassadas”.

Lajčák mapeou medidas fundamentais que a comunidade internacional pode tomar para ajudar a região. Primeiro, o compromisso de apoiar os esforços de reconstrução. O financiamento e a assistência técnica são urgentemente necessários para auxiliar os Estados afetados a se reerguer. O segundo é reconstruir com maior resiliência, disse ele, elogiando o objetivo da CARICOM de se tornar a primeira região resiliente ao clima no mundo.

O terceiro passo é reconhecer a vulnerabilidade dos pequenos Estados insulares em desenvolvimento (SIDs, na sigla em inglês) às mudanças climáticas, desastres naturais e choques externos. “Não devemos deixar que as pessoas sejam punidas uma vez pela natureza e mais uma vez por políticas econômicas ultrapassadas”, condenou.

Na ONU, comunidade internacional promete U$ 2,3 bilhões para reconstrução

No encontro, a comunidade internacional se comprometeu a doar 1,3 bilhão de dólares e a emprestar 1 bilhão de dólares para pagar as dívidas e ajudar as nações caribenhas a se recuperar dos danos causados pelos furacões nos últimos meses.

A conferência na sede das Nações Unidas contou com cerca de 400 representantes de alto nível de governos, organizações multilaterais e da sociedade civil e o setor privado, bem como o secretário-geral da ONU e o presidente da CARICOM.

“Estamos extremamente felizes com os resultados da conferência”, disse Stephen O’Malley, coordenador residente da ONU e representante do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para Barbados e da Organização dos Estados do Caribe Oriental.

Imagem de uma rua em Roseau, capital da Dominica. A cidade está lutando para superar o impacto severo de dois furacões da categoria 5 que destruíram a região em setembro de 2017. Foto: UNICEF/Moreno Gonzalez

Imagem de uma rua em Roseau, capital da Dominica. A cidade está lutando para superar o impacto severo de dois furacões da categoria 5 que destruíram a região em setembro de 2017. Foto: UNICEF/Moreno Gonzalez

“É um longo caminho para a recuperação”, disse O’Malley, observando que enquanto as ruas da capital de Dominica, Roseau, estão relativamente limpas e a água já foi restabelecida, apenas 3% de todo o país tem acesso a energia elétrica. Além disso, a agricultura foi gravemente afetada. “Ainda é um momento difícil.”

Segundo o representante do PNUD, a comunidade internacional busca que o Caribe se torne uma região resiliente ao clima. Para isso, há passos práticos no planejamento da rede rodoviária e da rede elétrica, por exemplo, além de estruturas projetadas para garantir que escolas e hospitais sejam construídos para resistir ao impacto de das mudanças climáticas.

“É preciso um melhor planejamento e preparação dos governos para que eles possam responder mais rapidamente”, ressaltou ele. “Há uma variedade de estratégias diferentes para tornar todos mais resilientes ao clima.”

Dirigindo-se à conferência, o secretário-geral da ONU, António Guterres, observou que os países do Caribe precisam de apoio agora para reconstruir e tomar medidas climáticas efetivas.

“Precisamos de uma nova geração de infraestrutura que seja preparada para os riscos, apoiando economias, comunidades e meios de subsistência resilientes”, disse ele na reunião.


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