Chefe da ONU pede investigação sobre mortes na fronteira entre Israel e Gaza

“Esta tragédia sublinha a urgência de revitalizar o processo de paz, visando criar as condições para um retorno a negociações significativas para uma solução pacífica que permita aos palestinos e israelenses viverem lado a lado pacificamente e em segurança”, disse o chefe da ONU, António Guterres, reafirmando a prontidão das Nações Unidas para apoiar o processo.

Um representante da ONU pediu que Israel defenda suas responsabilidades sob o direito internacional, enfatizando que a força letal só deve ser usada como último recurso, com quaisquer fatalidades resultantes devidamente investigadas pelas autoridades.

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres. Foto: ONU/Eskinder Debebe

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, pediu na última sexta (30) uma investigação independente e transparente sobre os confrontos em Gaza entre os palestinos que participam na ‘Grande Marcha do Retorno’ e as forças de segurança israelenses. Pelo menos 16 palestinos foram mortos e um grande número de feridos.

O pedido do chefe da ONU para uma investigação ocorreu no mesmo momento em que o Conselho de Segurança convocou uma reunião de emergência para que seus membros pudessem ser informados sobre os incidentes mortais.

Milhares de palestinos marcharam para a fronteira de Gaza com Israel na sexta-feira (30) para protestar contra o bloqueio de longa data do enclave.

Uma autoridade política da ONU disse que o Ministério da Saúde da Palestina confirmou que 16 palestinos foram mortos e mais de mil ficaram feridos, incluindo com sufocamento por gás lacrimogêneo.

Um comunicado divulgado por um porta-voz da ONU disse que o secretário-geral está “profundamente preocupado” com os relatos dos confrontos e pediu que os envolvidos se abstenham de qualquer ato que possa levar a mais baixas, particularmente medidas que possam colocar civis em perigo.

“Esta tragédia sublinha a urgência de revitalizar o processo de paz, visando criar as condições para um retorno a negociações significativas para uma solução pacífica que permita aos palestinos e israelenses viverem lado a lado pacificamente e em segurança”, disse o comunicado, reafirmando a prontidão das Nações Unidas para apoiar o processo.

Tayé-Brook Zerihoun, vice-chefe de assuntos políticos da ONU, disse ao Conselho de Segurança que cerca de 30 mil pessoas participaram e participam da Marcha em vários locais em Gaza. Logo após o início das manifestações, a situação tornou-se mortal em vários pontos.

Algumas das vítimas foram o resultado do uso de armas de fogo por parte das forças de segurança israelenses. Outras vítimas foram o resultado de confrontos armados entre palestinos e forças de segurança israelenses, incluindo o bombardeio de um ponto de observação do Hamas.

Segundo Zerihoun, os relatos indicam que a maioria dos manifestantes ficou bem longe da cerca da fronteira e não agiu de forma violenta.

“No entanto, também há relatos de que alguns manifestantes se envolveram no arremesso de pedras e com violência; alguns supostamente portando armas”, acrescentou ele.

Ele disse ao Conselho que, de acordo com relatos das forças de segurança israelenses, militantes tentaram atravessar a cerca para plantar explosivos. Os palestinos também teriam enviado uma menina de nove anos através da cerca, mas as forças israelenses conseguiram mandá-la de volta em segurança.

Os líderes do Hamas também estavam presentes em algumas das manifestações.

Responsabilidades sob o direito internacional

A violência também eclodiu na Cisjordânia, onde cerca de 900 palestinos se manifestaram, principalmente em cidades como Ramallah e Hebron. Segundo o Crescente Vermelho, 27 palestinos ficaram feridos em confrontos perto de Nablus, disse ele.

“Antes da Marcha, Israel aumentara suas forças ao longo da fronteira, posicionando atiradores, unidades especiais e drones, e enviando alertas de que agiria para impedir qualquer violação da cerca da fronteira ou violações da soberania de Israel”, observou Zerihoun.

“Os acontecimentos em Gaza são novamente uma dolorosa lembrança das consequências da falta de paz entre Israel e a Palestina, e a necessidade de intensificar nossos esforços em apoio a uma resolução pacífica do conflito”

Durante todo o dia, o Escritório do Coordenador Especial da ONU para o Processo de Paz do Oriente Médio – UNSCO – estava em contato com as forças de segurança palestinas e israelenses e continuaria a fazê-lo à medida que mais manifestações pudessem ocorrer, inclusive nas próximas seis semanas.

“Há temor de que a situação se deteriore nos próximos dias”, disse Zerihoun, dizendo ao Conselho que a ONU continuaria a enfatizar que os civis não deveriam ser alvos e que todos os atores deveriam se abster de colocar as crianças em risco.

Ele também pediu que Israel defenda suas responsabilidades sob o direito internacional, enfatizando que a força letal só deve ser usada como último recurso, com quaisquer fatalidades resultantes devidamente investigadas pelas autoridades.

“Os acontecimentos em Gaza são novamente uma dolorosa lembrança das consequências da falta de paz entre Israel e a Palestina, e a necessidade de intensificar nossos esforços em apoio a uma resolução pacífica do conflito”, concluiu ele.