Chefe da ONU pede a líderes europeus compaixão com refugiados

Campo de refugiados de Kara Tepe, na ilha grega de Lesbos. Foto: ONU / Rick Bajornas

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, pediu na terça-feira (28) que os líderes europeus reunidos em Bruxelas ajam com “compaixão e visão” diante da crise dos refugiados e que encontrem soluções que respeitem o direito internacional, protejam os direitos humanos e salvem vidas.

De acordo com o dirigente máximo da ONU, os líderes mundiais precisam defender  as obrigações políticas, morais e legais seguindo cinco passos: realocando mais pessoas; protegendo os refugiados; fornecendo mais reassentamentos e vias humanitárias complementares para admissão; lutando contra a xenofobia e contra o ódio e abordando as causas do deslocamento forçado.

As declarações estão em artigo publicado no jornal belga Le Soir. “Precisamos ajudar as pessoas que estão passando por circunstâncias terríveis,  onde não conseguem ser protagonistas nem ter o poder para mudar suas condições”.

“Grandes movimentos de pessoas já ocorreram antes e nós lidamos com o problema. Com o mundo mais rico e mais bem informado do que nunca, devemos ser capazes de lidar melhor agora e fazer o certo para hoje e para as gerações futuras”, acrescentou o secretário-geral.

Recordando a recente visita a Lesbos, porta de entrada de muitos refugiados para a Europa, Ban destacou que os gregos  têm respondido de forma “admirável” ao intenso número de pessoas necessitadas, afirmando que “se a pequena ilha grega pode fazer muito, com certeza os outros países podem fazer muito mais.”

“No dia que visitei Lesbos, o horizonte estava repleto de frágeis barcos superlotados, que navegavam através das águas frias e agitadas. As pessoas chegavam aos milhares, algumas ainda com ferimentos causados por estilhaços dos combates dos quais haviam fugido poucos dias antes”, relatou.

“Falei com sírios, iraquianos, paquistaneses e outros. Senti imensa gratidão pelo refúgio temporário deles”, acrescentou. “Mas também vi a frustração em seus futuros incertos. Como ouvi de uma pessoa, ‘é a espera que está matando todos”’, contou.

O secretário-geral também pediu que todos os líderes mundiais participem da Cúpula das Nações Unidas para os Refugiados e Migrantes, que acontece em setembro na sede da ONU, em Nova York, e tem o objetivo de consolidar uma nova co-responsabilidade global pelos refugiados e promover a migração segura, ordenada e regular.