Chefe da ONU ouve relatos de sofrimento de refugiados rohingya durante visita a Bangladesh

AUMENTAR LETRA DIMINUIR LETRA

O secretário-geral da ONU, António Guterres, visitou campos de refugiados rohingya em Bangladesh nesta segunda-feira (2), declarando que não estava preparado para a escala da crise e a extensão do sofrimento que presenciou no local.

Falando à imprensa em Cox’s Bazar, região do sul de Bangladesh onde aproximadamente 1 milhão de rohingya estão vivendo sob constante risco de inundações e deslizamentos, Guterres disse que a violência que enfrentaram em Mianmar desde agosto do ano passado foi uma das histórias mais trágicas de “violação sistemática” dos direitos humanos já registradas.

Este slideshow necessita de JavaScript.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, visitou campos de refugiados rohingya em Bangladesh nesta segunda-feira (2), declarando que não estava preparado para a escala da crise e a extensão do sofrimento que presenciou no local.

Falando à imprensa em Cox’s Bazar, região do sul de Bangladesh onde aproximadamente 1 milhão de rohingya estão vivendo sob constante risco de inundações e deslizamentos, Guterres disse que a violência que enfrentaram em Mianmar desde agosto do ano passado foi uma das histórias mais trágicas de “violação sistemática” dos direitos humanos já registradas.

“É inaceitável que essas pessoas que sofreram tanto em Mianmar agora tenham que viver nas difíceis circunstâncias que esses campos inevitavelmente representam”, acrescentou.

O chefe da ONU também elogiou o governo e o povo de Bangladesh por generosamente receber os refugiados e fornecer proteção básica e apoio.

Ao mesmo tempo, ele também pediu que a comunidade internacional traduza sua solidariedade em apoio suficiente para a minoria rohingya que ainda vive em Mianmar e para aqueles deslocados por toda a fronteira com Bangladesh.

“Meu apelo à comunidade internacional é dar um passo à frente e aumentar substancialmente o apoio financeiro a todos aqueles que trabalham em Bangladesh para proteger e ajudar os refugiados rohingya”, pediu Guterres.

Ele também disse que a ONU continuará a insistir no “direito de retorno” voluntário dos rohingya para suas casas em Mianmar, mas “somente quando as condições existirem para que eles vivam em plena dignidade”.

Guterres chegou a Bangladesh no domingo (1), de madrugada, para chamar a atenção para a situação dos refugiados rohingya e lembrar a comunidade internacional sobre a necessidade de fazer mais para apoiá-los.

No domingo, o secretário-geral das Nações Unidas elogiou Bangladesh por dar um porto seguro a centenas de milhares de refugiados rohingya expulsos de suas casas em Mianmar pela violência sistemática e generalizada.

“Em um mundo onde tantas fronteiras estão fechadas, (o povo e o governo de Bangladesh) abriram suas fronteiras e receberam seus irmãos e irmãs vindos de Mianmar e dos terríveis eventos lá”, disse Guterres na capital Daca.

O chefe da ONU estava acompanhado pelo presidente do Grupo Banco Mundial, Jim Yong Kim, que na sexta-feira (29) anunciou quase 500 milhões de dólares em subsídios para ajudar Bangladesh a atender as necessidades dos refugiados.

Falando ao lado de Guterres na coletiva de imprensa, Kim pediu a todos que “se solidarizem” com os rohingya para que eles possam viver uma vida digna, bem como com “sua demanda por coisas tão básicas que quase todos no mundo têm”.

“Nós, como Grupo do Banco Mundial, estamos comprometidos em fazer mais e mais para garantir que os rohingya obtenham alguma justiça”, declarou ele.

A complexa crise de refugiados rohingya começou em agosto passado, após ataques a postos da polícia por grupos armados que supostamente pertenciam à comunidade. Houve contra-ataques sistemáticos contra a minoria muçulmana, considerados por grupos de direitos humanos, incluindo altos funcionários da ONU, uma limpeza étnica.

Nas semanas que se seguiram, mais de 700 mil rohingya — a maioria crianças, mulheres e idosos — fugiram de suas casas em busca de segurança em Bangladesh, com pouco mais do que as roupas do corpo.

Antes do último êxodo, mais de 200 mil refugiados rohingya estavam abrigados em Bangladesh como resultado de deslocamentos anteriores.

As agências das Nações Unidas e os parceiros humanitários estão no terreno, respondendo às necessidades dos refugiados e das comunidades que os acolhem. No entanto, seus esforços foram muitas vezes sobrecarregados pela enorme escala da crise e do clima extremo.

Um dos desafios mais prementes é a estação das monções, que traz chuvas torrenciais, bem como a ameaça de ciclones, deslizamentos de terra e inundações repentinas.

“As fortes chuvas e seu impacto já estão agravando o sofrimento dos refugiados, mesmo quando tentam reconstruir suas vidas”, disse Natalia Kanem, diretora-executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), que fazia parte da delegação do secretário-geral da ONU.

Além do clima, a falta de recursos também dificultou a resposta humanitária. Um plano de resposta conjunta, lançado pela ONU em março, pedindo 951 milhões de dólares para fornecer assistência permanece apenas 18% financiado.

Nesse cenário, o apoio anunciado pelo Banco Mundial ajudará a melhorar as condições e intensificar a assistência de uma resposta “puramente humanitária e cotidiana a de médio prazo e desenvolvimentista”, disse o alto-comissário das Nações Unidas para os refugiados, Filippo Grandi, que também estava em Cox’s Bazar como parte da delegação de alto nível.

Juntamente com o UNFPA e o ACNUR, todo o sistema das Nações Unidas continua empenhado em garantir que os refugiados e as comunidades de acolhimento tenham acesso a ajuda e proteção.

Em Cox’s Bazar, a resposta humanitária está sendo coordenada pelo Grupo de Coordenação Intersetorial (ISCG, na sigla em inglês), liderado pela Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Outras agências, como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA), estão assumindo a liderança na proteção de crianças e na nutrição de emergência, respectivamente.


Mais notícias de:

Comente

comentários